De acordo com o Idealista, no último ano, houve uma queda generalizada no número de imóveis residenciais no país (-19%), para pouco mais de 100 mil apartamentos anunciados no idealista no primeiro trimestre de 2026.
Mas, a nível nacional, observaram-se reduções bem diferentes consoante o patamar de preços. Até 300 mil euros:oferta caiu 31% entre o início do ano e o mesmo período do ano anterior para menos de 40 mil casas. Nas diferentes faixas de preços que compõem este patamar, o stock habitacional com preços até 210 mil euros diminuiu para menos de metade;
Acima de 300 mil euros até 600 mil euros: stock desceu 11% num ano, para cerca de 47 mil apartamentos e acima de 600 mil euros: a oferta residencial no patamar mais elevado caiu apenas 8% para quase 22 mil imóveis.
Esta dinâmica inverteu os protagonistas do mercado: se há um ano a oferta mais expressiva se concentrava nos preços mais acessíveis (42% do total), esse peso caiu agora para 36%.
Agora, a oferta habitacional mais expressiva situa-se entre 300 mil euros até 600 mil euros (44% do total). E os apartamentos que custam mais de 600 mil euros continuam a ter um peso importante representando um quinto do stock, revela o idealista/data. Tudo isto acaba por ajudar a explicar a rápida subida dos preços das casas no país para novos recordes. E também reflecte os altos custos da construção (mão de obra e materiais) que dificulta a colocação de casas novas a preços acessíveis no mercado.
O mercado aguarda Julho para a entrada em vigor do IVA a 6% na construção e beneficia já da isenção de IMT e Imposto do Selo para jovens até 35 anos — duas das principais medidas do pacote fiscal do Governo, publicado em Diário da República a 20 de Maio. A simplificação do licenciamento urbanístico, com a revisão do RJUE, deverá ainda acelerar a entrada de novos projectos no mercado.
O cenário nacional da oferta de casas à venda esconde várias diferenças a nível local. Desde logo, os apartamentos para comprar abaixo de 300 mil euros representam, pelo menos, metade do stock em 12 das 20 capitais de distrito (ou de regiões autónomas) analisadas.
Neste patamar de preços mais acessível correspondem à grande maioria do stock habitacional em Bragança (98%), Beja (86%) e na Guarda (82%). Esta realidade também é bem expressiva em Castelo Branco, Évora, Portalegre, Viana do Castelo, Santarém, Braga, Viseu, Setúbal e em Vila Real, revelam os dados do idealista/data referentes ao início do ano.
No Porto, os apartamentos à venda até 300 mil euros representam um terço do stock total, sendo que a oferta mais expressiva na Invicta é mesmo nas casas com valores acima de 300 mil euros até 600 mil euros, que pesam 45% no total. Já as casas que custam mais de 600 mil euros pesam 25% sobre a oferta na cidade.
Já o Funchal (ilha da Madeira), Lisboa e Faro são as cidades que têm menor oferta de casas à venda nos degraus mais baixos (3%, 7% e 14%, respectivamente). Enquanto no Funchal e em Faro a maioria da oferta se concentra no intervalo de preços intermédio, em Lisboa a fatia mais expressiva da oferta possui preços acima de 600 mil euros (49% do total).














