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As cinco acções de Natal corporativas que nunca pensou
O que leva as empresas a organizar jantares de natal? Tratar-se-á de mais uma boa oportunidade para estimular a coesão, reforçar a identificação com os valores organizacionais, motivar e enaltecer o espírito da equipa. Mas será que tem retorno?
Por Carlos Moreira, partner da Immersis
O aviso sonoro do seu e-mail. A bolinha azul que apareceu agora na Inbox não deixa dúvidas: acabou de cair no seu e-mail o Save-the-Date para mais uma Festa de Natal da empresa! As reacções a esta comunicação podem ser diversas, mais ou menos entusiásticas, dependendo da qualidade das suas memórias referentes a esse evento nos anos anteriores.
Na maioria das situações, existirá pelo menos um Jantar de Natal, um “breve” discurso de boas festas, uma troca de presentes (mais ou menos secreta) e um período, por vezes constrangedor, de música, dança, álcool, revelações embaraçosas, ou apenas um diálogo do tipo: “E agora, para onde vamos!”; “Então, quem é que alinha!?” – enfim, os clássicos da Festa de Natal da empresa.
Vale a pena pensarmos um pouco acerca dos motivos que levam as empresas a organizar estes eventos natalícios. Invariavelmente, tratar-se-á de mais uma boa oportunidade para estimular a coesão, reforçar a identificação com os valores organizacionais, para motivar e enaltecer o espírito da equipa, estreitar laços, renovar ou encetar relações, ou simplesmente para fazer uma pausa agradável na rotina do trabalho. O investimento aqui realizado é, por vezes, muito relevante e persegue algum ou muitos destes objectivos. Mas será que tem retorno?
Algumas destas organizações, percebendo que o Jantar de Natal deverá ser destinado apenas à confraternização descontraída entre os colaboradores, permitindo-lhes que se sentem onde bem entenderem e com quem bem quiserem, optam por ter uma acção corporativa antes do jantar. Pode fazer sentido, mas depende do tipo de acção que decidem propor aos seus colaboradores. Deve ser memorável e ir claramente ao encontro dos objectivos acima referidos. Mas será que é isso que acontece?
Não diria que seja necessário medir com rigor o atingimento destes objectivos, mas valerá a pena estar atento aos comentários que ocorrerão na copa no dia seguinte, para ter acesso a um estudo razoável de natureza qualitativa. De que se fala? O que se salientou nesse evento? O que ficará na memória e na retina dos colaboradores?
É por este motivo que pode valer a pena considerar uma destas cinco acções de Natal, destinadas a qualquer tipo e dimensão de grupo: as cinco acções de Natal corporativas que nunca pensou:
1. Uma experiência de Escape Game, onde vai poder “desembrulhar” segredos antes das 0h00h
O que é?
É um jogo desenhado para equipas. Consiste numa experiência imersiva onde é explorada a forma como alguns comportamentos-chave são manifestados sob pressão e em contexto de grupo.
Ao entrarem numa sala, a pressão do tempo reforçada por um countdown que descerá até 0h00, coloca os participantes numa situação amplificada do seu dia-a-dia profissional, onde o tempo é invariavelmente curto e como consequência, nem sempre nos permite tomar as melhores decisões.
Para que serve?
Esta dinâmica consegue, em apenas uma hora, salientar os comportamentos naturais de cada pessoa: permitindo identificar traços de personalidade, atitudes e compromisso para com o grupo; por outro lado, permite avaliar o funcionamento da equipa: observar dinâmicas grupais e estratégias colectivas mais ou menos eficazes para alcançar os objectivos fixados.
2. A dinâmica “Ready, Set, Go”, onde vai poder oferecer presentes a quem realmente precisa
O que é?
Uma divertida “competição colaborativa” que consiste na construção integral e de raiz, duma bicicleta, em cerca de 60 minutos, partindo duma mesa de trabalho onde constam todas as peças desmontadas e ferramentas necessárias à realização dessa tarefa, sem recurso a qualquer manual de instruções.
Cada equipa, constituída por 5 a 10 pessoas, terá de montar apenas uma bicicleta tendo de confiar nas outras equipas, uma vez que algumas das peças ou ferramentas que necessitam se encontram lá e vice-versa.
Após a assemblagem, a bicicleta que montaram irá ser utilizada por uma outra equipa e irão receber também uma bicicleta proveniente de outra equipa para realizar um pequeno percurso de obstáculos. No final as bicicletas serão oferecidas às crianças duma instituição carenciada.
Para que serve?
Nesta dinâmica é possível extrair algumas reflexões, nomeadamente: será que precisamos de todo o detalhe para “por a máquina a funcionar” em contextos de pressão?; a colaboração é igual a eficiência?; comunicação e confiança são importantes quando todos trabalham em conjunto?; estivemos atentos ao que os outros fizeram para ajudarmos ou aprendermos? e as equipas “concorrentes”, estavam a fazer o mesmo?
Ideal para activações de curta duração com elevado número de participantes, com apontamentos pedagógicos bastante amplos e diversificados.
3. O Bombarte Experience, uma estrondosa acção de responsabilidade social
O que é?
É uma verdadeira experiência de Responsabilidade Social que consiste em transformar os participantes num grupo de percussionistas que vai aprender a tocar diversos tipos de tambores e bombos até conseguir tocar uma peça com elementos muito exigentes: os verdadeiros Bombarte do projecto da CERCI Lisboa, composto por pessoas com necessidades especiais.
Inicialmente a equipa é dividida em subgrupos que irão aprender ritmos diferentes, sendo depois gradualmente integrados numa só equipa e numa peça musical única, tocada em conjunto com os percussionistas originais.
Para que serve?
Esta dinâmica pretende trabalhar com os participantes ao nível dos três pilares fundamentais da formação das equipas: objectivo comum, visão partilhada e interdependência – sendo este último evidenciado através do papel que cada um desempenha nesta peça musical.
4. Uma acção mais “Techy”, que lhe permitirá iluminar e animar o Jantar de Natal!
O que é?
Poderia ser uma experiência em que cozinhamos o nosso próprio Jantar de Natal, mas porque não inovar ainda mais este ano? Este é um verdadeiro tiro de longa distância! Um conjunto de tarefas que nunca imaginou serem da sua responsabilidade.
O desafio desta experiência consiste em dar vida a diversos objectos (uma árvore de natal, por exemplo), assumindo o papel de engenheiros de electrónica, engenheiros mecânicos e programadores informáticos que têm necessariamente de trabalhar em equipa.
A equipa terá de abordar tarefas colaborativas que consistem em montar um determinado objecto, montar correctamente um conjunto de componentes electrónicos e programar um microprocessador aí incluído, que vai permitir que o objecto que montaram ganhe vida. Parece impossível!?
Para que serve?
Serve para retirar as equipas da sua zona de conforto, confrontando-as com um desafio que apela à interdependência e à sua capacidade de adaptação.
A metodologia de resolução de problemas perante fenómenos desconhecidos, constitui muitas vezes uma dificuldade adicional para os grupos que já adquiriram um funcionamento básico e adequado enquanto equipa.
Como se organizam para enfrentar um problema desconhecido? Serão eficientes?
5. Um Gospel Choir, onde vai poder verdadeiramente cantar o espírito do Natal
O que é?
Esta experiência consiste em transformar os participantes num coro de gospel, dirigido pelo maestro João Castro (maestro do famoso St. Dominic’s Gospel Choir), que irá apresentar o resultado final do trabalho de todos a um público real e muito exigente.
O maestro irá começar por avaliar o timbre vocal natural dos participantes, organizando-os por naipes, que vão trabalhar separadamente a letra duma peça musical de coro dentro do seu tom.
Em seguida o coro junta-se e cantam todos o mesmo tema, embora estejam ensaiados para que o efeito final resulte numa música cantada a vários tons.
Para que serve?
Através desta experiência os participantes vão compreender o que significa o trabalho em equipa e ouvir atentamente o que cada um dos colegas tem dentro de si, da forma mais divertida
Pretende-se fazer um paralelismo com a realidade das organizações, onde cada um tem a sua função específica e os seus objectivos individuais ou de grupo, mas onde todos contribuem necessariamente para algo maior que são os desígnios da organização.
Estas são apenas algumas ideias que lhe permitirão tornar a Festa de Natal ainda mais interessante, transformando a conversa da copa, no dia seguinte, num tema de que todos verdadeiramente fizeram parte e que deixará certamente boas memórias. Assim, no próximo ano quando voltar a entrar o tal e-mail, vai simplesmente sorrir 🙂
Finalmente e porque, de facto, o Natal deveria ser “quando o Homem quiser”: Feliz Natal!