É a primeira vez que Portugal participa na mais abrangente pesquisa internacional sobre as competências cognitivas da população adulta. Trata-se do inquérito central do Programa de Avaliação Internacional de Competências dos Adultos (PIAAC, na sigla inglesa).
O estudo é promovido pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e é comparado ao PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos, aplicado aos estudantes de 15 anos a cada três anos. No caso do PIAAC, a análise centra-se na população adulta, entre os 16 e os 65 anos.
Os resultados, que só serão conhecidos no final do próximo ano, vão permitir perceber qual o nível dos portugueses no domínio da língua, dos números e das competências digitais.
A publicação revela que além de avaliar as competências cognitivas da população, o estudo recolhe também informações sobre as condições laborais, os trajectos familiares ou hábitos de leitura e escrita, por exemplo, possibilitando análises mais complexas que permitam perceber que outros factores influenciam a literacia e a numeracia além das qualificações académicas.
A participação nacional na pesquisa da OCDE junta os ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da Educação e custa quatro milhões de euros, financiados por fundos comunitários. A equipa nacional está a trabalhar desde 2019, adaptando os guiões, por exemplo, e aplicando um inquérito-piloto que permitiu validar o instrumento de recolha de dados para a população nacional.
A parte central do estudo, o inquérito às competências dos adultos, foi aplicado a partir da passada segunda-feira. Serão entrevistadas 5000 pessoas, em todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas, durante seis meses. Segue-se um longo trabalho de análise dos dados, pelo que os resultados globais só serão conhecidos no final do próximo ano.
O inquérito inclui uma entrevista, feita pessoalmente por um elemento da equipa responsável, coordenada pela Universidade Católica e dirigida por Ricardo Reis, que também está à frente do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião daquela instituição de ensino superior. Depois, há um segundo módulo, preenchido individualmente por cada pessoa, que terá de responder a um conjunto de desafios.














