As complicações da ausência de comunicação não verbal

Human Resources
7 de Fevereiro 2022 | 11:00
As complicações da ausência de comunicação não verbal

Por Maria Duarte Bello, CEO da MDB – Coaching e Gestão de Imagem, Coach PCC & Mentor Senior

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É tentador pensar que uma reunião realizada com câmara de vídeo pode ser o substituto adequado para uma presencial, mas a verdade é que o corpo humano as decifra de uma forma completamente diferente. As chaves de comunicação que se perdem numa videoconferência são o tom de voz, uma parte das expressões faciais e os gestos físicos. Ao não serem tão evidentes numa videoconferência, o participante vê-se obrigado a prestar mais atenção e no fim, principalmente se houver muitos participantes, a reunião pode ser esgotante.

“A linguagem não verbal é o primeiro ingrediente da comunicação oral”. Equivale a mais de dois terços do que a pessoa quer partilhar: fornece a interpretação e o significado. Numa videoconferência geralmente ficamos sentados e quietos e o controle do espaço é muito importante, o que desencadeia, no final, um esforço psicológico excessivo. Quando um dos componentes da comunicação está ausente ou limitado – como acontece no zoom, teams ou outros – emissores e receptores veem-se obrigados a prestar mais atenção e a fazer um esforço maior para se expressarem e para se entenderem corretamente.

Outra circunstância que causa tensão nas videoconferências são os silêncios: numa reunião presencial, lida-se com eles de forma natural, sem que seja preciso forçar nada, mas não ocorre a mesma coisa numa reunião com uma câmara na frente, na qual só vemos os rostos dos participantes. Como sabemos as intervenções não fluem de forma natural, a não ser que haja um moderador que dê a palavra; o habitual é que uns atropelem os outros, ou, pelo contrário, que os intervalos entre cada fala sejam preenchidos por silêncios incómodos.

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Como se isso não bastasse, as videoconferências têm uma dificuldade adicional que, paradoxalmente, deveria facilitar as coisas: a audiovisual. A imagem precisa de manipulação para que reflita a verdade, por exemplo, se quisermos parecer naturais, temos de atuar um pouco; se quisermos que o nosso rosto pareça natural, temos de nos maquilhar; se quisermos que a nossa voz se escute melhor, temos de subir ou baixar o tom de uma forma meio artificial. Tudo isto exige um esforço que provoca tensão em quem não está acostumado.

 As videoconferências chegaram para ficar e não são obviamente uma ferramenta nova. Uma boa regra geral antes de agendar uma reunião é considerar se vale a pena o tempo que se vai investir: um e-mail rápido, uma mensagem por chat ou um telefonema de 30 segundos podem ser suficientes para comunicar a mensagem e não é tão exigente como uma reunião por vídeo.

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