As empresas estão a cometer erros básicos no recrutamento. Essencialmente três (e isso está a sair-lhes caro)

Human Resources
21 de Maio 2024 | 12:20

Segundo o Candidate Experience Report de 2024, da plataforma de recrutamento Greenhouse, divulgado recentemente, mesmo num mercado de trabalho que favorece os candidatos em detrimento das empresas, o processo de contratação continua a ser considerado francamente mau, noticia a Fortune. E os candidatos dizem ser vítimas de “ghosting”, engano e discriminação.

 

A Greenhouse inquiriu 1200 norte-americanos à procura de emprego, a maioria dos quais com elevados níveis de confiança nas suas perspectivas de carreira. Porém, as empresas não estão a conseguir chegar até eles.

“Frustrante”, “desigual” e “mau” foram os termos usados pelos candidatos para descrever os processos de recrutamento. Mais de metade afirma ter sido alvo de perguntas discriminatórias, especialmente em relação à idade e etnia, por parte dos entrevistadores – um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

Um número semelhante de candidatos afirma que foi atraído e enganado pelas empresas, já que, depois de aceitarem um emprego, descobriram que as verdadeiras funções eram bem diferentes das anunciadas. E a maioria foi vítima de ghosting durante o processo de candidatura.

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«O facto de a experiência do candidato ter sido má não é novidade», confirma à Fortune Daniel Chait, co-fundador e CEO da Greenhouse. «É surpreendente que empresas ainda não tenham percebido que a principal queixa dos candidatos é o facto de nunca receberem resposta e metade deles garante que isso ainda acontece.»

Mais de metade dos candidatos conta que foram elogiados pelos entrevistadores durante a fase inicial, para depois serem rebaixados no momento das negociações salariais. E todos criticam a duração do processo que se arrasta por meses, independentemente de receberem uma oferta ou não.

Em suma, «as grandes empresas estão a cometer erros básicos e dispendiosos», menciona Daniel Chait no relatório. As questões que mais desanimam os candidatos são as ofertas salariais, a falta de interacção humana e uma escassez geral de ofertas de emprego na sua área.

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«Para os candidatos, o processo de contratação é o primeiro vislumbre da cultura da empresa e a forma como as empresas tratam os candidatos é um factor crucial», menciona Carin Van Vuuren, directora de Marketing da Greenhouse, no relatório. «Eles prestam atenção à forma como as empresas os tratam, interpretando isso como um sinal da cultura da empresa.»

As desvantagens do outsourcing na IA

Qualquer pessoa cujo trabalho inclua recrutar sabe que o processo envolve lidar com pessoas que não serão contratadas. «A diferença entre um bom e um mau trabalho depende dos candidatos que não conseguem o emprego. O que é que eles dizem depois sobre a empresa? Se a empresa está a riscar um potencial pool de talento, ou clientes, isso é um grande risco», garante Daniel Chait à Fortune.

A boa notícia? Fazer o que é certo pelos candidatos é mais intuitivo do que os gestores imaginam. «É possível tratar bem os candidatos», acrescenta. O aumento da IA ​​nas contratações também tem criado «algumas dinâmicas problemáticas», diz Chait e alerta que a IA não deve ser usada para tomar decisões relacionadas com pessoas, pois estas importantes demais.

«Devemos pensar na IA como o assistente superprodutivo, meio júnior meio maluco. Não podemos simplesmente confiar no resultado: ele inventa coisas, erra e afirma com grande confiança.»

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Em vez disso, falar com potenciais colaboradores, dizer-lhes com precisão o que o trabalho envolve e responder às suas perguntas é a coisa mais fácil, salienta Chait. «Se errarmos nas coisas fáceis, ninguém vai confiar em nós nas coisas difíceis.»

Para CEO, as falhas destacadas no relatório – transparência, feedback, perguntas adequadas – são a parte mais fácil do processo e os resultados deviam ser excelentes. «O facto de não serem representa uma verdadeira podridão no core do recrutamento», alerta.

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