As empresas foram feitas para fazer pessoas felizes? Especialista defende que não

Human Resources com Lusa
16 de Março 2026 | 12:50

As empresas assumiram para si uma missão que não lhes pertence: a responsabilidade de “fazer as pessoas felizes”. Quem o diz é Piero Franceschi, autor de «O trabalho de ser humano».

O autor acredita que a felicidade se tornou o principal objectivo individual na sociedade. Mas foi na sua opinião, assumida de forma errada como um direito e não como dever. «Quando a felicidade é tratada como direito, cria-se a expectativa de que o mundo, as circunstâncias e, sobretudo, as empresas tenham a obrigação de entregar plenitude constante», defende Piero Franceschi. 

O autor vai mais longe e destaca mesmo que as empresas não foram feitas para fazer colaboradores felizes. Defendendo que o papel de uma organização é criar valor, criar condições de trabalho dignas e sustentar resultados. «Acreditar que a empresa deve preencher vazios existenciais é um equívoco. Isto não significa que o oposto seja verdadeiro, que empresas devam ser exploradoras ou insensíveis. Mas acreditar nisto é cair de novo no conto da polarização: ou o trabalho é fonte infinita de alegria, ou é opressão absoluta. Nenhum dos dois extremos corresponde à realidade».

Por isso, para Piero Francesch, a felicidade é uma responsabilidade individual e não de uma empresa. Cabe a cada pessoa encontrar sentido no trabalho, ajustar sua própria equação (percepção–expectativa) e assumir a responsabilidade adulta de se fazer feliz , ao invés de esperar que a empresa faça todo o esforço em sentido contrário.

Uma empresa tem obviamente a responsabilidade de oferecer um espaço para que a felicidade surja: respeito, clareza, mérito, oportunidades, desenvolvimento, um escopo bem desenhado. Mas cultivar a felicidade depende da responsabilidade de cada indivíduo: o acto maduro de se fazer feliz no trabalho, ao invés de esperar que o trabalho faça todo o esforço no sentido contrário.

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O especialista defende que «é preciso parar de tratar adultos como se fossem crianças mimadas que precisam ser entretidas o tempo todo para serem felizes ao cumprirem as suas obrigações».

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