As mulheres à conquista do mundo tecnológico

«Com as empresas a procurarem novos perfis de colaboradores, as mulheres devem arriscar seguir carreiras tecnológicas, se esse for o seu sonho. Precisamos do talento de todos e o talento não escolhe géneros.»

 

Por Itziar del Estal, HR country manager Portugal na Schneider Electric

 

Em 2020, ano em que toda a controvérsia sobre diferenças entre géneros deveria ser já um tema ultrapassado, continuamos a encontrar algumas questões que merecem toda a nossa atenção. Perante esta realidade, é crucial dar visibilidade a todas as disparidades que não nos permitem progredir na direcção que o mundo actual deve querer seguir: de diversidade, inclusão e igualdade para todos.

Prevê-se um futuro em que as disciplinas mais técnicas, as chamadas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), terão ainda mais importância no mercado laboral; é então vital e urgente lutar, cada vez mais, pela inclusão de todos nestas temáticas, tendo apenas em consideração o mais importante: o talento.

Poderíamos falar dos preconceitos que ainda existem sobre as profissões apropriadas para cada género, das influências que os jovens recebem em casa, das diferentes expectativas que os progenitores (e a sociedade) colocam sobre rapazes e raparigas. As razões apontadas são inúmeras. A certeza, no entanto, é de que hoje, mais do que nunca, é necessário  inverter esta situação com rapidez, como a única forma de assegurarmos um mundo justo para as gerações futuras, independentemente do género e de todos os estereótipos que insistem em permanecer em alguns sectores da nossa sociedade.

Vivemos uma enorme transformação, decorrente do crescimento imparável da tecnologia: a disrupção tecnológica chegou a grande velocidade, e veio para ficar. Com as empresas a procurarem novos perfis de colaboradores, as mulheres devem arriscar seguir carreiras tecnológicas, se esse for o seu sonho. Precisamos do talento de todos e o talento não escolhe géneros.

Desta forma, as empresas da área tecnológica, em que, de uma forma geral, a igualdade ainda não surge de forma natural, devem implementar medidas para a incentivar. Para além da igualdade salarial e de iguais oportunidades de progressão na carreira, é cada vez mais comum vermos as empresas a apostar também noutras políticas de diversidade e inclusão, como por exemplo o teletrabalho ou a concessão de mais tempo livre para dedicar à família.

Estas medidas, genericamente conhecidas como “salário emocional”, contribuem para o bem-estar, equilíbrio e felicidade dos colaboradores e com isso, de todo o contexto empresarial de uma forma geral, premissas cada vez mais importantes no mundo digital e acelerado em que vivemos.

A Schneider Electric é, precisamente, um exemplo desta inovação: uma empresa de soluções de energia que actua num setor tradicionalmente masculino, e que procura empregar parte dessa energia para proporcionar o acesso e a participação plena e equitativa das mulheres na ciência. Nos últimos anos, assistiu-se a uma clara evolução, tendo aumentado claramente o número de mulheres em cargos de direcção. E fomenta iniciativas e programas como o Let’s Go Engineering, implementado em 2018 por colaboradores voluntários e dirigido a alunos entre os 6 e os 12 anos de idade, com o objectivo de os aproximar das áreas científicas e de lhes despertar possíveis vocações para as engenharias. Assim, consegue-se a integração das STEM na educação dos jovens de forma harmoniosa, rompendo em simultâneo os estereótipos de género.

Vivemos num ambiente diverso, saudável e inclusivo, com acesso às mesmas oportunidades, onde todas as pessoas deverão sentir-se seguras para serem quem são, e motivadas para seguir as suas vontades e dar o seu melhor no que escolherem fazer. No fim de contas, homens e mulheres deverão ter as mesmas hipóteses de alcançar o sucesso e cabe às empresas garantir que o mundo avança nesta direção. Se conseguirmos derrubar os estereótipos associados ao mundo tecnológico, estamos a permitir que todos tenham acesso às mesmas oportunidades e desafios independentemente do género.

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