Segundo a Fast Company, as mulheres não estão menos interessadas na IA do que os homens. Mas são mais cautelosas em relação aos riscos. Em todos os sectores e regiões geográficas inquiridos, as mulheres manifestaram níveis mais elevados de preocupação com a IA do que os homens e níveis mais baixos de confiança nas ferramentas baseadas na IA. A diferença foi maior nos sectores da saúde e dos serviços financeiros, exactamente os sectores que estão a implementar a IA mais rapidamente em interacções importantes com os clientes.
A interpretação padrão de dados como estes é que representam um problema a resolver. As mulheres precisam de mais formação, mais garantias e melhor integração. Reduzindo o gap de confiança, a adopção virá como consequência.
Mas, como CEO mulher, Leigh Segall interpreta isso de forma diferente. A cautela das mulheres em relação à IA não é uma falta de compreensão. É uma resposta ponderada a questões reais sobre responsabilidade, transparência e o que acontece à do outro lado quando algo corre mal.
A pergunta que ninguém está a fazer
Os sectores que a Smart Communications apoia estão a tomar decisões importantes sobre a forma como a IA irá interagir com os seus clientes. Estas interacções têm um peso emocional e financeiro real. E as pessoas que moldam estas decisões, na maioria das vezes, estão a optimizar para a velocidade e o custo.
A questão de como esta afecta a pessoa que recebe a informação é alvo de menos atenção. O mesmo acontece com o tema de quem é o responsável quando algo corre mal. As mulheres que passaram a carreira a ouvir que o seu instinto de empatia e pensamento relacional é uma desvantagem, em vez de uma competência, são exactamente as pessoas capacitadas para fazer estas perguntas. Mas estas mulheres raramente estão nas salas onde a estratégia de IA é definida.
De acordo com o Fórum Económico Mundial, as mulheres ocupam apenas 15% dos cargos executivos de IA em todo o mundo. Para Leigh Segall, este é um ponto cego estratégico significativo, não apenas um gap na engrenagem.
Não se trata de diferenças inatas
O tema não é sobre as diferenças inatas entre homens e mulheres, é sobre o que acontece à perspectiva das mulheres quando passam anos a navegar numa cultura que trata o pensamento relacional como algo superficial.
Tornam-se muito boas a lidar com duas coisas ao mesmo tempo: a exigência do negócio e a exigência humana. Aprendem a perguntar não apenas se algo é eficiente, mas se é certo. Desenvolvem também um instinto para a diferença entre a forma como uma decisão aparece num diapositivo e como é sentida pela pessoa afectada.
Esse instinto é a base de toda a estratégia de IA.
A confiança é o obstáculo que ninguém está a medir
Os consumidores estão genuinamente abertos a que a IA desempenhe um papel maior nas suas vidas. Mas a confiança é o obstáculo constante. As pessoas querem saber que alguém é responsável pelas decisões tomadas a seu respeito. Querem sentir-se compreendidas, não processadas.
As empresas tornaram-se boas a medir o que a IA poupa. Tempo, custo, pessoal. Contudo, são menos boas a medir o custo quando uma comunicação é mal interpretada, quando um cliente se sente como um número e quando a confiança se deteriora silenciosamente ao longo de dezenas de pequenas interacções. Estes custos são reais, mas mais difíceis de colocar num slide. E são exactamente o que se perde quando as pessoas que concebem a sua estratégia de IA não estão orientadas para o ser humano que a recebe.
Os dois problemas estão interligados
As empresas estão a investir fortemente em ferramentas de IA, enquanto investem pouco no conjunto de talentos necessário para as implementar bem. As mulheres estão a ser contratadas para gerir os resultados da IA, mas raramente para moldar a estratégia por trás. Este é um problema de desenvolvimento de carreira tanto quanto um problema de negócio. E a maioria das estratégias de IA não tem ninguém na sala a fazer as perguntas que precisam de ser feitas.
Estes dois problemas estão ligados. O mesmo instinto que torna as mulheres consumidoras de IA mais cautelosas é o instinto que as torna valiosas arquitectas da mesma. E a solução do segundo problema começa pelo reconhecimento de que o primeiro não é um problema.














