As profissões de Recursos Humanos estão em risco, alerta líder da Society for Human Resource Management

Johnny C. Taylor Jr., CEO da Society for Human Resource Management (SHRM), alerta que o sector de Recursos Humanos pode perder relevância e até desaparecer se não acompanhar as transformações do mercado de trabalho.

Human Resources
16 de Julho 2026 | 09:40
As profissões de Recursos Humanos estão em risco, alerta líder da Society for Human Resource Management

O alerta foi proferido durante o evento SHRM26, que teve lugar em Orlando, nos EUA, no final no mês passado. A adaptação passa por abandonar processos obsoletos e focar em competências humanas e estratégicas, noticia o HR Dive.

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Taylor destacou que o sector pode caminhar para uma espécie de extinção caso não consiga acompanhar as profundas mudanças que estão a remodelar o mundo do trabalho.

Transformação necessária para evitar a irrelevância

O CEO da maior associação mundial de Recursos Humanos sublinhou que o perigo não reside apenas na inteligência artificial, mas sobretudo na resistência a abandonar modelos, processos e prioridades que já não respondem às necessidades reais das empresas e dos trabalhadores. Para Johnny C. Taylor Jr., osprofissionais da área devem questionar-se honestamente se estão preparados para mudar e se estão a contribuir para que as organizações enfrentem os desafios do futuro, em vez de se concentrarem em tarefas transacionais que podem ser automatizadas.

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Apesar dos receios comuns, o CEO defende que a inteligência artificial vai substituir sobretudo tarefas operacionais e não profissionais completos. O problema surge quando os departamentos de RH continuam a dedicar grande parte da sua energia a essas tarefas que podem ser automatizadas. Assim, o valor dos RH terá de migrar para competências tipicamente humanas, como a interpretação de contextos, construção de cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças, gestão de conflitos, tomada de decisão ética e compreensão do comportamento humano.

«A IA não está a substituir os RH. Mas profissionais que não a utilizarem perderão espaço para quem sabe como usá-la», alertou.

Contexto de múltiplos desafios

O executivo enquadra esta necessidade de mudança num cenário global complexo, que inclui envelhecimento da força de trabalho, escassez de profissionais qualificados, necessidade de requalificação, mudanças geracionais, polarização social e transformação digital acelerada. Designando este conjunto de dificuldades como uma “policrise”, Taylor defende que os RH devem assumir um papel central na construção das respostas organizacionais.

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No entanto, para isso acontecer, os RH precisam de se tornar visíveiscomo parte da solução. Caso contrário, correm o risco de se tornar irrelevantes.

Outro ponto destacado foi o afastamento de parte da profissão dos temas que verdadeiramente impactam os resultados das empresas. Taylor defende que os RH devem compreender profundamente o negócio, os riscos estratégicos e as transformações económicas que afectam as organizações, deixando de se limitar à Gestão de Pessoas.

Ainda que o CEO da SHRM não preveja o desaparecimento dos RH, acredita que estamos perante um momento decisivo de reinvenção. «Devemos ter a coragem de reconhecer as nossas fraquezas e pontos fortes com clareza. Temos de ser decisivos, analíticos, priorizar o negócio, focar em soluções e assumir plena responsabilidade pelas funções que desempenhamos na organização», concluiu.

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