Imagina a percentagem de portugueses que tem dificuldades em pagar as suas contas?

Tânia Reis
29 de Maio 2024 | 13:00
Imagina a percentagem de portugueses que tem dificuldades em pagar as suas contas?

64% dos portugueses tem baixo conhecimento financeiro e um em cada quatro tem dificuldades em pagar as suas contas. São as principais conclusões do estudo desenvolvido pelo Doutor Finanças, em parceria com a Laicos – Behavioural Change, e com a chancela da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FPUL) e da NOVA Information Management School (Nova IMS).

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Os resultados do estudo “Bem-Estar Financeiro em Portugal: Uma Perspectiva Comportamental” foram apresentados esta manhã no auditório INE da Nova IMS, em Lisboa. O objectivo foi compreender o estado actual do bem-estar financeiro dos portugueses, analisando os comportamentos financeiros e as componentes psicológicas da população portuguesa.

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Comparando o conhecimento financeiro dos portugueses com outros países europeus com PIB per capita e literacia financeira acima da média europeia, conclui-se que Portugal está atrás dos níveis da Alemanha e Países Baixos de há 15 anos.

Os inquiridos revelam que as questões financeiras contribuem para os seus níveis de ansiedade, existindo uma percentagem significativa que apresenta sentimentos de culpa quando pensa sobre as suas finanças pessoais.

O sobreendividamento, associado a comportamentos de consumo descuidados e imprudência financeira, também constitui uma fonte frequente de estigma social e preconceito, o que coloca mais pressão sobre as condições de vida das pessoas. Mais de metade dos inquiridos assume ter demasiadas dívidas, com valores muito altos face aos seus rendimentos e um em cada quatro portugueses tem dificuldades em pagar as contas e cumprir as suas obrigações financeiras.

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A maioria dos portugueses tem alguma poupança, contudo, quase metade não tem o suficiente para cobrir despesas durante três meses em caso de emergência. Significa isto que, em caso de perda de rendimento, as famílias portuguesas têm desafios adicionais.

A maioria dos portugueses já investiu algum dinheiro, sendo que a fatia mais considerável das poupanças das famílias é direccionada para produtos com menor risco, como Certificados de Aforro e Planos Poupança Reforma. Ainda assim, 45% dos portugueses que nunca investiram, apenas 38% refere que já considerou fazê-lo.

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O estudo realça quatro principais conclusões:

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Em primeiro lugar, o bem-estar financeiro assume um papel central no bem-estar geral das pessoas. Portugueses com menor bem-estar financeiro têm uma probabilidade três vezes maior de experienciar tristeza.

Segundo, as mulheres com rendimentos baixos ou nível de escolaridade até ao ensino secundário são as que têm mais probabilidade de experienciar um nível de conhecimentos e bem-estar financeiro baixo e sentir maior ansiedade financeira.

Quem tem mais rendimentos, sabe mais, adopta melhores comportamentos e sente-se melhor com a sua vida financeira.

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E por último, o conhecimento é uma condição necessária, mas não suficiente para alcançar um maior bem-estar financeiro. É o ecossistema de comportamentos, atitudes, conhecimento e rendimento que levam ao nível de bem-estar experienciado pelas pessoas. Os comportamentos mais conducentes a bem-estar financeiro são comportamentos de não-endividamento e de poupança.

A amostra inclui respostas de 800 pessoas entre os 18 e os 75 anos com naturalidade portuguesa e a residir em Portugal em Janeiro de 2024.

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