Banco brasileiro despede cerca de mil colaboradores (por causa do trabalho remoto)

Human Resources
11 de Setembro 2025 | 11:50

O banco brasileiro Itaú despediu cerca de mil colaboradores esta semana, após análise aos registos de uso do computador. As demissões atingiram maioritariamente os trabalhadores em regime híbrido, que representavam cerca de 60% do total de 85,8 mil colaboradores existentes no país, informa o Veja Negócios.

Em comunicado, o Itaú, que conta com 85,8 mil colaboradores no Brasil, afirmou que os despedimentos resultaram de «uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registo de jornada». O banco reforçou que, em alguns casos, foram identificados «padrões incompatíveis com os princípios de confiança, inegociáveis para a instituição», mas não cancelou o programa de home office.

«Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objectivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade», afirma a empresa.

A medida reacendeu o debate sobre a avaliação de produtividade e performance dos trabalhadores, trabalho remoto e monitorização digital, reporta o InfoMoney.

Ainda que as grandes empresas, sobretudo no sector financeiro, estejam a incentivar o regresso ao escritório, o uso de softwares de controlo e análise de produtividade mantém-se prática comum, já que os equipamentos usados no teletrabalho são propriedade do empregador. De acordo com especialistas em legislação laboral, desde que os limites de privacidade sejam respeitados essa monitorização é legítima aos olhos da justiça brasileira.

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Com base no artigo 482 do código do trabalho brasileiro, nos casos em que o trabalhador apenas liga o computador, mas não executa as tarefas, podem ser configurados sim falta grave e até justificar demissão por justa causa, nas hipóteses de mau procedimento ou desleixo. Ainda assim, especialistas ressaltam que advertências e suspensões devem ser aplicadas antes da penalidade máxima.

Porém, a gestão do trabalho remoto exige novos critérios, alerta a advogada Stephanie Almeida, do Poliszezuk Advogados: «Não basta que o colaborador esteja online, é preciso entregar resultados e estar alinhado com a cultura da empresa.»

Os especialistas avaliam que o episódio mostra a importância de adoptar métricas claras e justas de análise do trabalho remoto, investindo em ferramentas de acompanhamento e gestão por resultados.

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