O Banco Central Europeu (BCE) está a investigar um caso envolvendo um alto funcionário de Recursos Humanos que lançou um negócio paralelo de coaching pago para candidatos a empregos no BCE e noutras instituições da União Europeia, enquanto ainda exercia funções no banco central, reporta o Politico.
Søren Beier, consultor sénior de Recursos Humanos recentemente aposentado, oferecia um pacote denominado “Preparação e Mediação para Entrevistas”, composto por três sessões virtuais de coaching de uma hora cada. As sessões incluíam alinhamento de perfis, simulações de entrevistas e aperfeiçoamento, com o objectivo de ajudar os candidatos a melhorar as suas hipóteses de contratação.
Beier desactivou o site onde os serviços eram promovidos dias antes da sua aposentação, mas manteve a promoção dos serviços no LinkedIn até ao dia da saída do banco. O BCE confirmou que não autorizou a actividade e que o trabalhador não notificou a instituição, violando regulamentos internos.
O episódio agravou a tensão já existente entre trabalhadores e administração do BCE, que têm expressado preocupações sobre a transparência e mérito nos processos de contratação e promoção. O sindicato IPSO, que representa os trabalhadores, destacou que o caso reforça a percepção de que as redes pessoais e o acesso privilegiado têm peso excessivo no recrutamento.
Emmanuel Larue, presidente do IPSO, referiu que «quando 77% dos colaboradores acreditam que conhecer as pessoas certas é mais importante do que o desempenho, e um recrutador sénior é apanhado a vender consultoria de recrutamento, a confiança no sistema deteriora-se rapidamente».
Moderadores de um fórum interno do BCE contestaram a autenticidade dos testemunhos publicados no site de Beier, afirmando que vários colaboradores citados não foram clientes nem consentiram a publicação dos seus depoimentos.
O BCE anunciou, através de comunicado interno, a abertura de uma investigação pela Divisão de Investigação Interna para apurar os factos e determinar eventuais medidas correctivas. A instituição reiterou o compromisso com processos de recrutamento justos, transparentes e confiáveis.
Até ao momento, não há evidências de que candidatos que tenham recebido o coaching de Beier tenham sido contratados pelo BCE.
Søren Beier não respondeu aos pedidos de comentário sobre a actividade paralela nem às alegações do sindicato quanto à autenticidade dos testemunhos.














