Banco de Portugal mais optimista sobre taxa de desemprego para este ano e dois seguintes

Margarida Lopes
26 de Março 2021 | 18:47

O Banco de Portugal (BdP) estima que a taxa de desemprego vai continuar a subir em 2021, atingindo os 7,7%, mas abaixo do que antecipava nas suas anteriores projecções, devendo cair de forma gradual a partir de 2022.

Depois de ter subido para 6,8% em 2020, a taxa de desemprego deverá chegar este ano a 7,7%, ano a partir do qual cairá para 7,6% em 2022 e 7,2% em 2023, segundo o Boletim Económico de Março hoje divulgado pelo Banco de Portugal.

Os valores para o horizonte 2021-2023 contemplam uma revisão em baixa face ao previsto no Boletim Económico de dezembro, mas indicam que a taxa de desemprego se vai manter neste período acima do nível pré-pandemia.

«No conjunto do ano antecipa-se um aumento da taxa de desemprego, traduzindo o aumento dos indivíduos que transitam da inatividade para o desemprego», refere o relatório, sublinhando que esta evolução «traduz o aumento da taxa de actividade, associado ao levantamento das medidas de contenção e à recuperação da atividade económica».

O banco central liderado por Mário Centeno observa que, apesar do «sucesso das medidas de política» que foram tomadas para mitigar os impactos da pandemia no mercado de trabalho, «antecipa-se que existam alguns efeitos mais prolongados, decorrentes de eventuais alterações nas preferências dos agentes (por exemplo, compras electrónicas, viagens de negócios e teletrabalho) e da necessidade de realocação de fatores produtivos entre sectores».

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Mas ainda que no final do horizonte das projeções a taxa de desemprego permaneça num nível superior ao observado em 2019, o BdP assinala que se mantêm “muito aquém” do registado na crise de 2011-2013.

Segundo o boletim, a informação disponível para o início do ano «sugere uma relativa estabilização da taxa de desemprego e uma redução do emprego e da população activa, num quadro semelhante ao observado no segundo trimestre de 2020, embora em menor escala».

Num cenário adverso, causado por um menor controlo da pandemia que imponha novas medidas de confinamento e de restrição nos movimentos de fronteiras, a evolução do mercado de trabalho será mais desfavorável, refere.

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Nestas condições mais adversas, a «taxa de desemprego aumenta ao longo de 2021, situando-se no final do horizonte de projecção cerca de dois pp [pontos percentuais] acima do observado antes da crise pandémica», refere o documento.

Em 2019 a taxa de desemprego foi de 6,5%.

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