Bancos reduziram quase 13 mil trabalhadores e fecharam duas mil agências em 10 anos

Human Resources com Lusa
22 de Outubro 2020 | 16:50
Bancos reduziram quase 13 mil trabalhadores e fecharam duas mil agências em 10 anos

Os bancos que operam em Portugal reduziram quase 13 mil trabalhadores e fecharam mais de 2000 balcões entre 2009 e 2019, segundo a actualização das séries longas do sistema bancário português do Banco de Portugal.

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De acordo com a informação hoje divulgada, em 2019 havia 45.884 trabalhadores na actividade doméstica dos bancos que operam em Portugal, menos 12.945 do que os 58.829 de 2009.

O ano de 2019 é mesmo o ano com menos trabalhadores bancários desde o início da série, em 1990. Já o valor mais alto foi atingido em 1994 com 61.512 nos bancos em Portugal.

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Em termos de agências em Portugal, os bancos tinham 4013 em 2019, menos 2.385 do que as 6398 que existiam em 2009.

Os 4013 balcões existentes em 2019 representavam o valor mais baixo desde 1994 (ano em que havia 3.595). O maior número de balcões foi atingido em 2010 com 6453 balcões em Portugal.

Segundo o boletim das séries longas do sistema bancário português 1990-2018 (ainda sem os dados de 2019, hoje divulgados), depois do expressivo crescimento do emprego no setor bancário na década de 1990, este tem vindo a diminuir e sobretudo nos últimos anos.

Comparando com outros países europeus, refere o boletim do Banco de Portugal, o peso do setor bancário no total do emprego é inferior em Portugal, o que também traduz «a menor dimensão do setor na economia portuguesa».

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Em 2018, na zona euro, por cada mil pessoas 5,4 trabalhavam no sector bancário, enquanto esse número era de 4,5 em Portugal.

Quanto aos balcões, refere o boletim que o número «mais do que duplicou na década de 90, passando de um número inferior a 2.000 em 1990 para um valor em torno dos 5.300 em 2000» e que «depois de alguma estabilização nos primeiros cinco anos do novo milénio, verificou-se um novo aumento nos anos seguintes, atingindo-se um valor máximo perto de 6.500 em 2010».

Já desde esse ano, e sobretudo a partir de 2013, «o número de balcões registou uma grande diminuição».

A tendência de diminuição do número de balcões, refere o Banco de Portugal, é também comum à zona euro, sendo mesmo maior em termos relativos em Portugal.

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Em 2018, o número de agências por milhão de habitantes era de 405 em Portugal e 395 na área do euro.

A redução da estrutura que os bancos têm feito vai continuar nos próximos anos e várias instituições já vieram mesmo assumi-lo publicamente, usando o corte de custos como medida para fazer face à actual crise, à fraca rentabilidade e à digitalização das operações.

Entre os principais bancos portugueses, o banco Montepio já assumiu que tem um plano alargado de saída de trabalhadores, que poderá envolver entre 600 a 900 pessoas.

O BCP disse em abril, no início da crise da COVID-19, que ia adiar a redução de trabalhadores que tinha previsto para este ano (numa postura que qualificou de “responsabilidade social”), mas que a faria no início de 2021.

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O Santander Totta está a chamar trabalhadores para propor rescisões de contrato por mútuo acordo, mas sem avançar números de quantos colaboradores quer que saiam.

A Caixa Geral de Depósitos vai continuar a cumprir este ano a redução de pessoal acordada no plano de reestruturação com a Comissão Europeia, o que passa pela saída de 250 colaboradores no segundo semestre (além dos 179 que saíram até Junho), mas a administração já admitiu que mais saídas poderão ser previstas no plano 2021-2024.

Quanto ao Novo Banco, o Sindicato dos Quadros Técnicos Bancários disse, em meados de setembro, que a instituição «tem vindo a apresentar propostas de reforma antecipada e de rescisão de contratos de trabalho por acordo a um conjunto de trabalhadores».

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