Por Ana Leonor Martins
Na 64.ª edição do Barómetro Human Resources, exploram-se algumas das dinâmicas actuais da Gestão de Pessoas, focando-se em quatro pilares: a integração da inteligência artificial (IA) – desde o ritmo de adopção nos processos de recrutamento e gestãode talento às áreas em que poderá ser mais eficaz, passando pelo impacto e expectativas de retorno –; os desafios na atracção de profissionais, nomeadamente de determinados perfis, e principais barreiras; as prioridades de investimento das empresas, neste âmbito; e ainda o papel estratégico do outsourcing, numa altura em que continua a ser um dos temas polémicos na revisão da lei laboral.
Como habitualmente, cerca de 300 profissionais – maioritariamente gestores de Pessoas (75%), mas também presidentes (10%) e directores de Marca, Comunicação e/ou Marketing (15%) – que compõem o painel de especialistas do Barómetro responderam ao questionário de 10 perguntas. Segue-se a análise dos resultados.
Adopção, mas moderada
A pergunta inicial, sobre “Qual o ritmo de adopção da IA nos processos de recrutamento e gestão de talento” nas organizações dos especialistas do Barómetro, revela desde logo um cenário de transição cautelosa, com a maioria dos inquiridos (39%) a admitir que é um ritmo moderado. Se juntarmos os 37% que assumiram ainda ser lento 16%), muito lento (14%) ou até inexistente (7%), ficamos com um total de 76%. Ou seja, em apenas 24% das empresas o ritmo é acelerado (21%) ou muito acelerado (3%), permitindo deduzir que, não obstante o entusiasmo tecnológico, há um hiato entre o hype e a realidade e que ainda não estamos perante uma verdadeira “revolução” da inteligência artificial.
Passando para a adopção e tentando perceber “em que áreas/funções da Gestão de Pessoas a IA poderá ser mais eficaz” (sendo possível escolher-se até três opções), nota-se uma visão muito clara e inequívoca, distribuída no topo, de igual forma (67%) pelo Recrutamento e pela Formação e Desenvolvimento. Há, assim, um consenso no “core” operacional (processamento de grandes quantidades de dados, como na triagem de CV) e também de desenvolvimento (de que serão exemplo a personalização de percursos de aprendizagem ou cursos das mais diversas temáticas à distância de um clique). Surge depois, a uma distância de 23 pontos percentuais (p.p), a Gestão de Talento (44%) e, a completar o pódio, a Comunicação Interna (35%).
Olhando para o espectro oposto, com 0% surgem a Diversidade e Inclusão, Bem-estar e… Liderança. Estes dados podem ser reveladores dos temas em que os especialistas identificam uma “fronteira ética” ou a exigência de “toque humano”. Já numa área muito assente em dados e cálculos como a de Compensação e Benefícios, o valor surge relativamente baixo (23%), sendo que para 14% dos inquiridos a IA será útil e eficaz em todas as áreas (e ninguém considera que não é útil em nenhuma área). Um dos grandes receios relacionadoscom a IA tem a ver com a possibilidade de substituição do humano pela máquina. Por outro lado, é legítimo que as empresas que estão a investir em tecnologia, esperem não só melhoria da produtividade, mas também redução de custos, isto é, maior eficácia e eficiência. Assim, perguntámos ao painel do Barómetro Human Resources se “enfrenta pressão para reduzir equipas, baseada em expectativas de retorno da utilização de IA”. E a resposta surge peremptória, não parecendo haver – pelo menos para já – motivo para alarme.
A grande maioria das organizações(61%) afirma não enfrentar qualquer pressão para reduzir as suas equipas devido à implementação da IA, o que significará que está a ser encarada mais como uma ferramenta para potenciar a capacidade humana (augmentation) do que para substituir pessoas (automação). Ainda assim, não será de subestimar os 39% que admite que sim, estão a sofrer pressão para reduzir equipas – para 28% a pressão ainda é “pouca”, 9% diz ser “moderada” e 2% afirma que a pressão é “bastante”. Procurando resumir ao essencial – e o impacto da IA no dia-a-dia das organizações” dos próprios, de inexistente a muito elevado, onde se situa? Mantemo-nos no registo “moderado”, sendo esta a resposta de 35% dos inquiridos, tantos quantos os que reconhecem ser “reduzido”, resultando num total de 70%.
Já 25% afirma ser já “elevado” (16%) ou “muito elevado” (9%), com apenas 5% a assumir ser “muito reduzido”. Nenhum dos especialistas diz não haver impacto e também nenhum revela não estar a usar IA.
Leia o artigo na íntegra e fique a conhecer todos os resultados do LXIV Barómetro Human Resources na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.
E tem também o comentário dos especialistas (que vamos partilhar individualmente)
- Rui Teixeira, Country manager do ManpowerGroup
- Vítor Silva, Area director of Human Resources Portugal do InterContinental Lisbon
- Inês Madeira, Directora de Capital Humano do Grupo FHC
- Catarina Tendeiro, People & Organization senior director da Hovione
- Pedro Rocha e Silva, Managing director da LHH | DBM
- Ana Cardeira, Directora de Recursos Humanos da Quinta do Lago














