Por Ana Leonor Martins
Para a 32.ª edição da Conferência Human Resources, que se vai realizar a 14 de Outubro, no Museu do Oriente, em Lisboa, o tema escolhido foi “2027: ano de disrupções? O próximo capítulo na Gestão de Pessoas”. Com a evolução tecnológica, as novas expectativas dos profissionais e as mudanças demográficas a desafiar os modelos tradicionais de Gestão de Pessoas, será que o ano que se avizinha vai ser de disrupção? Ou “apenas” de aceleração da mudança? E as empresas estão preparadas? A preparar-se? Ou continuam a ignorar o óbvio?
Em jeito de antevisão, o LXVI Barómetro Human Resources aborda precisamente esses temas, procurando perceber qual a percepção dos especialistas sobre se 2027 será verdadeiramente um ano de mudanças disruptivas na Gestão de Pessoas e em que fase de preparação estão as organizações, na transformação do trabalho e das carreiras, e também na adopção da inteligência artificial (IA). Onde o impacto da IA mais se está a fazer sentir; se as empresas vão precisar de mais ou menos pessoas, ou se a questão é de competências e não de número; não deixando de fora da reflexão nem jovens nem as lideranças. Para culminar na conclusão sobre as áreas em que as empresas estão menos preparadas para o futuro.
O questionário de 10 perguntas foi enviado a cerca de 300 profissionais – maioritariamente gestores de Pessoas (75%), mas também presidentes (10%) e directores de Marca, Comunicação e/ ou Marketing (15%) –, que compõem o painel de especialistas do barómetro. Segue-se a análise dos resultados.
Transformação, não disrupção
Começando pela pergunta que dá tema à XXXII Conferência Human Resources, a resposta surge inequívoca. Questionados sobre se 2027 será um ano de mudanças disruptivas na Gestão de Pessoas, 61% são cautelosos e afirmam que “haverá mudanças relevantes, mas graduais”. Representa uma diferença de 56 pontos percentuais (p.p.) para os que antecipam uma “transformação profunda”. E vamos perceber que este primeiro resultado irá ser coerente com todo o inquérito. Para 24% “será apenas uma continuação da evolução actual”, enquanto 10% consideram mesmo que “não haverá mudanças significativas”. Há consenso sobre a mudança (90%), mas não sobre a velocidade e impacto. Ou seja, as empresas antecipam transformação, mas não ruptura. Reconhecem que o contexto está a mudar, mas não antecipam que essa transformação aconteça de forma abrupta.
Colocando a tónica individualmente, para perceber em que fase estão as respectivas organizações relativamente à transformação da Gestão de Pessoas, mais uma vez ficamos num “nim”. Só 6% admitem ainda não estar em fase de transformação (de lembrar que o painel deste barómetro é maioritariamente composto por representantes de grandes empresas), com mais de metade (56%) a considerarem estar numa “fase intermédia”, enquanto perto de um quarto já se posiciona numa “fase avançada” (22%) ou “muito avançada” (2%). Pouco mais de um em cada 10 (12%) diz estar numa fase inicial. Há, portanto, uma clara maioria que já está a atravessar um processo de mudança, mas ressalvando-se que ainda há um caminho significativo até à sua maturidade.
Sobre a “fase das empresas – genericamente – na transformação do trabalho e das carreiras”, a percepção é significativamente mais cautelosa. Volta a destacar-se a “fase intermédia”, mas com uns mais expressivos 72%, com a diferença a acentuar-se quando passamos para a “fase avançada” (2%), sendo que nenhum dos inquiridos acredita que as empresas estão em fase “muito avançada”. Para 12%, as organizações estão em “fase inicial”, os mesmo que afirmam que “ainda não estão em fase de transformação”.
Significa isto que os especialistas consideram que as suas empresas estão melhor posicionadas do que a maioria: enquanto 24% consideram a sua organização avançada ou muito avançada na transformação da Gestão de Pessoas, apenas 2% fazem essa leitura relativamente “ao mercado” – uma diferença de 22 p.pt.
Leia o artigo na íntegra e fique a conhecer todos os resultados do LXVI Barómetro Human Resources na edição de Ao (nº. 188) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.
E tem também o comentário dos especialistas (que vamos partilhar individualmente)
– Rui Teixeira, Country manager da ManpowerGroup
– Manuel Lopes da Costa, senior advisor da Boyden Portugal
– Catarina Tendeiro, senior director Human Resources da Hovione
– Pedro Ribeiro, director-geral Pessoas e Organização do Super Bock Group
– Ana Petrucci, HR and Brand & Engagement director da Intelcia Portugal
– Rita Baptista, Chief Human Resources Officer da Cimpor
– Ana Cardeira, directora de Recursos Humanos da Quinta do Lago
– Verónica Soares Franco, Executive director no Santander Portugal
















