Barómetro. O grande desencontro? Empresas antecipam a mudança, mas não a preparação do futuro

Da análise de resultados da 66.ª edição do Barómetro Human Resources Portugal, há uma conclusão que se destaca: as organizações reconhecem que o trabalho está a mudar, mas a transformação ainda está longe de estar consolidada. E há uma aparente contradição interessante entre a percepção de mudança e a preparação efectiva das organizações. Uma coisa parece certa para os especialistas: o desafio é qualitativo, não quantitativo. O tema é humano, não tecnológico

Human Resources
24 de Agosto 2026 | 10:10
Barómetro. O grande desencontro? Empresas antecipam a mudança, mas não a preparação do futuro

Por Ana Leonor Martins

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Para a 32.ª edição da Conferência Human Resources, que se vai realizar a 14 de Outubro, no Museu do Oriente, em Lisboa, o tema escolhido foi “2027: ano de disrupções? O próximo capítulo na Gestão de Pessoas”. Com a evolução tecnológica, as novas expectativas dos profissionais e as mudanças demográficas a desafiar os modelos tradicionais de Gestão de Pessoas, será que o ano que se avizinha vai ser de disrupção? Ou “apenas” de aceleração da mudança? E as empresas estão preparadas? A preparar-se? Ou continuam a ignorar o óbvio?

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Em jeito de antevisão, o LXVI Barómetro Human Resources aborda precisamente esses temas, procurando perceber qual a percepção dos especialistas sobre se 2027 será verdadeiramente um ano de mudanças disruptivas na Gestão de Pessoas e em que fase de preparação estão as organizações, na transformação do trabalho e das carreiras, e também na adopção da inteligência artificial (IA). Onde o impacto da IA mais se está a fazer sentir; se as empresas vão precisar de mais ou menos pessoas, ou se a questão é de competências e não de número; não deixando de fora da reflexão nem jovens nem as lideranças. Para culminar na conclusão sobre as áreas em que as empresas estão menos preparadas para o futuro.

O questionário de 10 perguntas foi enviado a cerca de 300 profissionais – maioritariamente gestores de Pessoas (75%), mas também presidentes (10%) e directores de Marca, Comunicação e/ ou Marketing (15%) –, que compõem o painel de especialistas do barómetro. Segue-se a análise dos resultados.

 

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Transformação, não disrupção
Começando pela pergunta que dá tema à XXXII Conferência Human Resources, a resposta surge inequívoca. Questionados sobre se 2027 será um ano de mudanças disruptivas na Gestão de Pessoas, 61% são cautelosos e afirmam que “haverá mudanças relevantes, mas graduais”. Representa uma diferença de 56 pontos percentuais (p.p.) para os que antecipam uma “transformação profunda”. E vamos perceber que este primeiro resultado irá ser coerente com todo o inquérito. Para 24% “será apenas uma continuação da evolução actual”, enquanto 10% consideram mesmo que “não haverá mudanças significativas”. Há consenso sobre a mudança (90%), mas não sobre a velocidade e impacto. Ou seja, as empresas antecipam transformação, mas não ruptura. Reconhecem que o contexto está a mudar, mas não antecipam que essa transformação aconteça de forma abrupta.

Colocando a tónica individualmente, para perceber em que fase estão as respectivas organizações relativamente à transformação da Gestão de Pessoas, mais uma vez ficamos num “nim”. Só 6% admitem ainda não estar em fase de transformação (de lembrar que o painel deste barómetro é maioritariamente composto por representantes de grandes empresas), com mais de metade (56%) a considerarem estar numa “fase intermédia”, enquanto perto de um quarto já se posiciona numa “fase avançada” (22%) ou “muito avançada” (2%). Pouco mais de um em cada 10 (12%) diz estar numa fase inicial. Há, portanto, uma clara maioria que já está a atravessar um processo de mudança, mas ressalvando-se que ainda há um caminho significativo até à sua maturidade.

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Sobre a “fase das empresas – genericamente – na transformação do trabalho e das carreiras”, a percepção é significativamente mais cautelosa. Volta a destacar-se a “fase intermédia”, mas com uns mais expressivos 72%, com a diferença a acentuar-se quando passamos para a “fase avançada” (2%), sendo que nenhum dos inquiridos acredita que as empresas estão em fase “muito avançada”. Para 12%, as organizações estão em “fase inicial”, os mesmo que afirmam que “ainda não estão em fase de transformação”.

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Significa isto que os especialistas consideram que as suas empresas estão melhor posicionadas do que a maioria: enquanto 24% consideram a sua organização avançada ou muito avançada na transformação da Gestão de Pessoas, apenas 2% fazem essa leitura relativamente “ao mercado” – uma diferença de 22 p.pt.

 

Leia o artigo na íntegra e fique a conhecer todos os resultados do LXVI Barómetro Human Resources na edição de Ao (nº. 188) da Human Resources.

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Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

E tem também o comentário dos especialistas (que vamos partilhar individualmente)

– Rui Teixeira, Country manager da ManpowerGroup

– Manuel Lopes da Costa, senior advisor da Boyden Portugal

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– Catarina Tendeiro, senior director Human Resources da Hovione

– Pedro Ribeiro, director-geral Pessoas e Organização do Super Bock Group

– Ana Petrucci, HR and Brand & Engagement director da Intelcia Portugal

– Rita Baptista, Chief Human Resources Officer da Cimpor

– Ana Cardeira, directora de Recursos Humanos da Quinta do Lago

– Verónica Soares Franco, Executive director no Santander Portugal

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