Por Ana Leonor Martins
Na 65.ª edição do Barómetro Human Resources, há três grandes temas em destaque: a lei laboral – está a proposta de revisão alinhada com as necessidades do futuro do trabalho, que temas deviam ser prioritários e qual o impacto que tem na competitividade das empresas e do País, bem como as exigências legais relacionadas com a inteligência artificial (IA) –; a forma como a Gestão de Pessoas é vista pelos CEO e que expectativas têm; e os principais desafios do mercado laboral, especificando- se depois a produtividade (e a sua correlação com os modelos de trabalho) e o recrutamento.
Como habitualmente, cerca de 300 profissionais – maioritariamente gestores de Pessoas (75%), mas também presidentes (10%) e directores de Marca, Comunicação e/ou Marketing (15%) – que compõem o painel de especialistas do Barómetro responderam ao questionário de 10 perguntas. Segue-se a análise dos resultados.
Lei laboral: relevante, mas (parcialmente) desalinhada
Começamos pela revisão da lei laboral, cuja proposta apresentada pelo Governo andou meses “para trás e para a frente”, não tendo sido alcançado acordo na Concertação Social e tendo, a 18 de Maio, “dado entrada” na Assembleia da República. À data de fecho desta edição da Human Resources, a proposta está a ser votada na generalidade. Quase metade (48%) do painel do Barómetro considera que a proposta de revisão da lei laboral está alinhada com as necessidades do futuro do trabalho apenas parcialmente. Para 29%, cumprirá, “no essencial/tanto quanto possível”, percentagem que ultrapassa os que consideram que pouco (19%) ou nada (4%) dá resposta às necessidades do mercado. Assim, poder-se-á concluir que, ainda que exista uma percepção de desalinhamento entre a actual proposta de revisão laboral e as necessidades futuras do trabalho e algum cepticismo, não há rejeição absoluta, ou seja, será precisa uma evolução – 71% identificam margem para melhorias –, mas não uma revolução. Não obstante, nenhum inquirido considera que a proposta está “completamente” alinhada com o futuro.
Ainda mais interessante – tendo em conta que o painel do Barómetro é composto, maioritariamente, por profissionais que lidam diariamente com a aplicação prática da legislação laboral –, será observar quais os temas que identificam como os que deviam ser prioritários rever/acrescentar na proposta de revisão laboral (sendo que podiam escolher até três).
Os resultados são claros e mostram um inequívoco foco na maior flexibilidade e gestão de custos, com os “despedimentos e compensações” a surgir em primeiro lugar – e destacado –, com 45% dos votos. A uma distância de 13 pontos percentuais (p.p.) – 32% –, evidencia-se o “banco de horas e organização dos tempos de trabalho”, em ex aequo com a “contratação e período experimental”. A fechar o pódio, com 29%, o “trabalho híbrido e remoto”, seguido de perto pelos “modelos de trabalho” (26%). Só depois aparece a inteligência artificial (23%).
Há aqui um contraste relevante: embora o debate público esteja fortemente centrado na IA, os profissionais de Recursos Humanos continuam a atribuir maior prioridade a temas clássicos da gestão laboral, sugerindo que as organizações ainda sentem que existem questões estruturais por resolver antes de se centrarem nos novos desafios tecnológicos (ou talvez porque o impacto da IA ainda não se está a fazer sentir, verdadeiramente).
Leia o artigo na íntegra e fique a conhecer todos os resultados do LXV Barómetro Human Resources na edição de Junho (nº. 185) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.
E tem também o comentário dos especialistas (que vamos partilhar individualmente)
– Rui Teixeira, Country manager da ManpowerGroup
– Nuno Oliveira, Chief People & Culture Officer da Zurich Portugal
– Pedro Fontes Falcão, co-director do Executive MBA do Iscte Executive Education e gestor
– Joana Pita Negrão, People and Culture director da Dils
– Elsa Carvalho, Managing director da WTW














