Better Place: O espaço como expressão viva da cultura organizacional

A forma como os escritórios são pensados está a ganhar um novo peso estratégico, assumindo-se como veículo de cultura, bem-estar e identidade nas organizações.

O desenho dos espaços de trabalho está a deixar de ser um exercício meramente funcional para se assumir como uma ferramenta estratégica de cultura, identidade e engagement. Na Better Place, esta mudança é entendida como uma oportunidade para transformar o escritório numa experiência tangível daquilo que cada organização é e daquilo que quer ser. Jorge Bota, managing partner da empresa, afirma que criar um espaço de trabalho é «muito mais do que desenhar um escritório funcional ou esteticamente apelativo», tratando-se antes de criar «uma experiência tangível da identidade e cultura da empresa».

A abordagem parte da convicção de que o espaço é uma poderosa ferramenta de comunicação, tanto interna como externa. Para a Better Place, o ambiente físico deve transmitir o que a empresa valoriza, a forma como trabalha e como cuida das suas pessoas, estimulando a construção de identidade e de pertença. O objectivo é que cada colaborador sinta orgulho em fazer parte da organização, não apenas pelo discurso, mas pela forma como o vive diariamente.

Este processo começa sempre por ouvir. A equipa procura absorver a cultura, a estratégia, os desafios e a ambição de cada cliente, de modo a compreender a experiência actual e a experiência desejada. Só depois se trabalha sobre três pilares considerados fundamentais: as pessoas, a forma de trabalhar e a identidade.

É a partir desta base que se desenham espaços que promovem o bem-estar e a colaboração, assegurando simultaneamente funcionalidade e flexibilidade.

O design e a estética são utilizados como linguagem de marca, comunicando valores e personalidade, enquanto se procura criar uma experiência emocional positiva que inspire e fortaleça o sentido de pertença. «Utilizamos o design e a estética para comunicar a identidade e os valores, assegurando que o espaço fala a mesma linguagem que a marca», sublinha Jorge Bota, acrescentando que a meta final é sempre gerar uma ligação emocional entre as pessoas e o lugar onde trabalham.

Sustentabilidade, bem-estar e novos modelos de trabalho

Na integração da sustentabilidade, a Better Place afasta-se de uma visão limitada à escolha de materiais ecológicos. O conceito é tratado de forma mais abrangente, envolvendo decisões conscientes sobre durabilidade, flexibilidade dos espaços, reutilização, eficiência energética e impacto a longo prazo. Espaços que reflectem estes princípios reforçam, segundo Jorge Bota, uma cultura de responsabilidade, cuidado e consciência colectiva.

Ambientes mais saudáveis, com melhor luz, conforto térmico e qualidade do ar, têm um impacto directo no bem-estar, na motivação e no engagement das equipas. A selecção de materiais ecológicos e resistentes é feita sempre que possível, com o objectivo de reduzir o impacto ambiental e aumentar a durabilidade das peças e dos revestimentos. A atenção à eficiência energética passa por sistemas de controlo de iluminação, maximização da exposição à luz natural e utilização de soluções de climatização eficientes. Também a flexibilidade e modularidade dos espaços é tida em conta, permitindo alterações futuras sem desperdício de recursos.

O feedback recolhido junto dos clientes confirma, segundo o managing partner, o impacto destas opções. O comentário mais frequente é que as pessoas sentem que o espaço foi pensado para elas. Muitos referem melhorias na forma como colaboram, um aumento da vontade de ir ao escritório e até maior orgulho em receber clientes e parceiros. Para Jorge Bota, quando o espaço passa a ser usado de forma natural, vivido intensamente e apropriado pelas equipas, é sinal de que o projecto foi bem-sucedido. O reconhecimento de quem vive diariamente o ambiente é, para a Better Place, o verdadeiro indicador de sucesso.

Num contexto de novos modelos de trabalho, como o híbrido ou flexível, o papel do escritório ganha uma nova dimensão. O espaço deixa de ser apenas um local de trabalho individual para se tornar sobretudo um espaço de encontro, colaboração e cultura. «Nos modelos híbridos, o espaço físico tem um papel ainda mais estratégico: deve ser um polo de atracção, não uma obrigação», afirma. A empresa aposta, por isso, em ambientes que promovem a interacção, a partilha e o sentimento de comunidade, oferecendo ao mesmo tempo diversidade de espaços para diferentes formas de trabalhar, de modo a que o sentido de pertença e identidade saia reforçado, mesmo com menos presença diária.

A relevância ao longo do tempo é garantida através da flexibilidade como princípio base. São pensados espaços multifuncionais, layouts modulares, soluções autoportantes e reconfiguráveis, e decisões estruturais que possam resistir ao tempo. O desenho parte da informação fornecida pelos clientes sobre projecções de futuro e de pesquisa contínua sobre novos modelos de workspace, procurando-se sempre desenhar para o presente com uma visão de futuro.

Para Jorge Bota, o espaço influencia comportamentos. Pode incentivar colaboração ou isolamento, transparência ou hierarquia, criatividade ou formalismo. A cultura não é apenas comunicada, é vivida fisicamente. Layouts, cores, materiais e mobiliário comunicam identidade e personalidade, enquanto áreas comuns e pontos de encontro incentivam a interacção e a partilha de ideias. Espaços que promovem bem-estar, conforto e flexibilidade mostram que a empresa se preocupa com as pessoas, reforçando o sentido de pertença e orgulho. Quando o ambiente está alinhado com os valores da organização, a experiência diária torna-se mais coerente, intuitiva e autêntica.

Um dos projectos que melhor ilustra esta filosofia é o trabalho desenvolvido para a tecnológica Conclusion, que escolhe Portugal para expandir a sua presença e confia à Better Place o desenho e construção do novo escritório. Com a ocupação total de cinco pisos no Edifício Lisboa, o objectivo foi dar vida a um espaço inspirador que apoiasse o presente das equipas e abraçasse o futuro da organização. Flexibilidade e propósito estiveram no centro da abordagem, materializando o lema da empresa de que mais do que criar escritórios, cria ambientes que impulsionam pessoas e organizações, com impacto na dinâmica entre equipas, na comunicação interna e no orgulho de pertença.

Olhando para os próximos anos, Jorge Bota identifica três grandes direcções com impacto na experiência do colaborador e na cultura das organizações: espaços cada vez mais humanos e centrados no bem-estar, maior integração entre tecnologia e experiência física e uma aposta clara em ambientes flexíveis e multifuncionais. Mais do que tendências estéticas, o foco estará em criar experiências significativas que façam as pessoas sentir que vale a pena estar juntas, partilhar, criar e pertencer.

Este artigo faz parte da edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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