Boas práticas na FlixBus. Cultura em movimento: A aposta na flexibilidade para reter talento

Numa empresa que transporta milhões de passageiros entre dezenas de países, a mobilidade também se estende à Gestão de Pessoas. Através de programas de aprendizagem contínua, flexibilidade e mobilidade internacional, a FlixBus procura criar as condições para atrair, desenvolver e, sobretudo, manter talento.

Human Resources
1 de Setembro 2026 | 10:10
Boas práticas na FlixBus. Cultura em movimento: A aposta na flexibilidade para reter talento

 

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Por Tânia Reis

 

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Transporte sustentável e acessível para todos é o “motor” que move a Flix, grupo de Travel Tech, presente em cinco continentes e mais de 45 países, através das marcas FlixTrain, na Alemanha, Greyhound, nos EUA, Kâmil Koç, na Turquia, e FlixBus, a mais antiga do grupo e a operar em Portugal desde 2017.

Na prática, o modelo de negócio alia a inovação tecnológica da Flix à experiência operacional dos parceiros locais com quem trabalha nos diferentes mercados. São estes que asseguram a gestão diária da actividade, desde a frota aos motoristas e equipamentos, enquanto a Flix se concentra na gestão da oferta e da procura, na definição das redes, na estratégia de preços, no marketing, na comunicação e no desenvolvimento tecnológico, começa por explicar Marion Martins, team lead People da FlixBus em Portugal, Espanha, França e Itália.

Em Portugal, a operação envolve 60 colaboradores, divididos em dois grupos: a equipa local que trabalha exclusivamente para o mercado português – seja Business Development, Operações, Comunicação, entre outros – e a equipa global que dá suporte em Portugal e no mundo inteiro – nos departamentos de Tecnologia, Marketing, por exemplo. «Essa mistura entre pessoas locais que estão a trabalhar para o mercado português e a equipa global faz a identidade da FlixBus. Podemos dizer que esta identidade “glocal” é uma das características da nossa actividade em todos os países onde estamos», afirma a responsável, para quem a cultura da empresa é o elemento agregador que permite unir equipas distribuídas por vários países, diferentes idiomas e contextos culturais distintos. «Essa cultura não existe apenas em documentos ou declarações institucionais. Vive-se diariamente e sente-se nos escritórios e nas equipas», assegura.

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A dimensão internacional faz parte da identidade da empresa desde a sua génese. «Todos os colaboradores falam inglês» e são «dinâmicos na maneira de colaborar e de trabalhar». Essa realidade traduz-se em encontros presenciais, workshops internacionais, projectos transversais e iniciativas de partilha de conhecimento que conectam as equipas e reforçam uma cultura comum. O objectivo é garantir que a distância geográfica nunca se transforma numa barreira à colaboração.

Ao mesmo tempo, a empresa procura preservar as especificidades de cada mercado. «Embora muitos dos benefícios e políticas sejam comuns às diferentes geografias onde opera, existe espaço para responder a necessidades locais e adaptar práticas às características de cada contexto», faz notar a team lead People.

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Um cultura sem fronteiras
Uma das maiores apostas da cultura organizacional reside no desenvolvimento das pessoas. A FlixBus procura criar um ambiente onde a aprendizagem contínua é encarada como responsabilidade partilhada entre colaboradores e organização.

Um dos instrumentos centrais dessa estratégia é a FlixUni, «uma universidade interna, que permite ao colaborador poder fazer formações em self service», explica Marion Martins. A plataforma disponibiliza um leque variado de formações a qualquer colaborador, podendo este escolher conteúdos alinhados com os seus interesses, desafios profissionais ou objectivos de carreira. «Se em algum momento aquele training específico não existir, podemos falar com o manager e a empresa identifica opções externas que correspondam melhor à necessidade do colaborador.» O importante «é garantir que as pessoas dispõem dos recursos necessários para continuar a crescer».

Esta aposta na aprendizagem permanente vai além da formação tradicional. A organização desenvolve programas específicos para diferentes universos profissionais, incluindo equipas comerciais e funções de liderança, privilegiando percursos estruturados de desenvolvimento em vez de acções pontuais de formação.

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O mentoring constitui outra das ferramentas utilizadas para promover a aprendizagem dentro da organização. Através deste programa, colaboradores de diferentes países podem trocar experiências, partilhar conhecimentos e beneficiar da diversidade existente no grupo. Num contexto que reúne «muitas funções, muitos países» e profissionais de dezenas de nacionalidades, esse conhecimento interno representa uma das suas maiores fontes de valor e «deve ser capitalizado».

A filosofia está intimamente ligada a um dos valores corporativos da organização: “We Win Together”. Mais do que um slogan, a ideia traduz a convicção de que os resultados são construídos colectivamente e de que o crescimento individual deve contribuir para o crescimento do conjunto.

Outra grande aposta reside na forma como o feedback é encarado. A gestora afirma que existe «uma cultura de feedback bem presente na FlixBus», que integra os processos quotidianos de trabalho e faz parte das relações entre colaboradores e lideranças. A organização recorre também a ferramentas internas para medir os níveis de engagement e recolher opiniões dos profissionais nos diferentes mercados, permitindo identificar necessidades específicas e implementar acções dirigidas a cada realidade local. O objectivo passa por «compreender as diferenças existentes e transformá- las em oportunidades de aprendizagem e melhoria».

Independentemente da nacionalidade, Marion Martins ressalva que todas as equipas são compostas por colaboradores com personalidades, expectativas e formas de trabalhar distintas. O mais relevante é compreender «o que une as pessoas e o que permite que trabalhem juntas em torno de objectivos comuns».

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Leia o artigo na íntegra na edição de Agosto (nº. 188) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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