Por Tânia Reis
“Mudamos de casa para melhorar a casa de todos os portugueses (e o planeta)” foi o mote do Relatório de Sustentabilidade 2025 da Leroy Merlin, lançado no passado mês de Abril, e que evidencia uma aceleração da estratégia ESG (Environmental, Social, and Governance) da empresa em Portugal. O segredo está na consistência do caminho, assegura João Lavos, director de Impacto Positivo e Sustentabilidade. «Tivemos uma fase de estruturação e lançamento das bases da sustentabilidade na empresa entre 2021 e 2024 e agora estamos a capitalizar sobre esse trabalho de base.»
Nos dois últimos anos, a empresa atingiu quase todos os objectivos de primeiro nível a que se propôs, «num sinal claro de envolvimento colectivo e transversal ». É através de um «conjunto de mecanismos robustos e integrados, focados na medição consistente, na responsabilização e na ligação directa aos resultados operacionais e financeiros» que a estratégia ESG se traduz em decisões diárias de gestão, garante.
O Adeo Positive Index (API) surge como eixo central, esclarece o director de Impacto Positivo e Sustentabilidade. «O grupo Adeo, e por consequência a Leroy Merlin Portugal, utiliza um conjunto de 12 indicadores ESG que são seguidos diariamente em todas as unidades de negócio.» Esses indicadores medem a capacidade da empresa de gerar impacto positivo e estão integrados na avaliação da Valadeo [fundo de participação accionária dos colaboradores do grupo], assegurando que o desempenho da empresa é avaliado não apenas por resultados financeiros, mas também pelo seu impacto ambiental e social. «Todas as unidades de negócio, equipas e colaboradores contribuem para o API, tornando-o transversal à organização e um factor de responsabilização colectiva», explica.
Outro mecanismo foi a integração financeira do impacto carbónico. «Em 2025, a Leroy Merlin Portugal deu um passo inovador ao integrar o impacto das emissões de carbono directamente na sua performance financeira, através do indicador interno EBITAC (Earnings Before Interest and Taxe After Carbon).» Esse mecanismo atribui um valor monetário por tonelada de CO2 equivalente às emissões, assegurando que o crescimento do negócio é compatível com o plano de descarbonização e influenciando decisões estratégicas sobre o portefólio de soluções.
O Home Index, metodologia que avalia a sustentabilidade ambiental e social dos produtos, e a oferta positiva também são cruciais para a estratégia. Com foco na melhoria da oferta, as vendas de produtos classificados como “mais positivos” já representam 72% das vendas, destaca. «Os objectivos associados ao Home Index foram integrados na remuneração variável individual dos Category managers, incentivando a introdução de produtos mais sustentáveis.»
Para mobilizar e acompanhar as iniciativas ESG, a Leroy Merlin utiliza a plataforma Lakaa, que «gamifica a participação dos colaboradores», atribuindo pontos e recompensas pela realização de acções alinhadas com os objectivos do API, descreve João Lavos, dando nota de que a ferramenta impulsiona o desempenho individual e colectivo.
A sustentabilidade está igualmente a ser integrada nos descritivos de missão dos colaboradores, especialmente nas áreas de Oferta, Operações e Logística. «A remuneração já estava indexada ao progresso em sustentabilidade através do mecanismo de valorização da acção Valadeo, reforçando o alinhamento entre o desempenho individual e os compromissos estratégicos da empresa.»
A nível de monitorização da performance ESG, é feita através de dashboards diários e scorecards físicos nas lojas. Os resultados são comunicados «em vídeos mensais de performance, que integram resultados financeiros e
«Efectivamente, procurámos que o edifício fosse a demonstração de todas as nossas prioridades, desde logo na gestão da energia », reforça o responsável.
Um laboratório vivo de sustentabilidade
O exemplo máximo dessa cultura de sustentabilidade é a nova sede, inaugurada no final de 2025 e pensada desde o início como um “laboratório vivo”.
Equipado com sistemas avançados de climatização e iluminação LED regulável, concebidos para se adaptar à ocupação dos espaços e à luz solar disponível, o consumo energético é optimizado e permite uma gestão activa e inteligente dos recursos. Nesse âmbito, o edifício possui certificação LEED Gold (Leadership in Energy and Environmental Design), que avalia e garante a eficiência energética, o consumo de água e a redução das emissões de CO2.
Leia o artigo na íntegra na edição de Maio (nº. 185) da Human Resources.
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