No Doutor Finanças, propósito, proximidade e desenvolvimento contínuo são apontados como pilares centrais da estratégia de Gestão de Pessoas.
Num sector que cruza tecnologia, finanças e serviço ao consumidor, a capacidade de atrair e reter talento depende cada vez mais da cultura organizacional e das oportunidades de desenvolvimento oferecidas às equipas. O reconhecimento como Great Place to Work (6.º lugar) surge, neste contexto, como um indicador relevante da forma como as empresas conseguem criar ambientes de trabalho positivos, sustentados em confiança, propósito e crescimento.
No Doutor Finanças, essa distinção é encarada como a confirmação de um caminho que tem sido construído internamente com base numa cultura orientada para as pessoas.
Irene Vieira Rua, Chief People Officer da organização, afirma que este reconhecimento tem um significado particular por resultar directamente da avaliação dos próprios colaboradores.
«Ser Great Place to Work é, antes de mais, a validação de algo que escolhemos construir todos os dias: um lugar onde as pessoas crescem com clareza, autonomia e propósito», afirma. Para a responsável, o facto de a distinção resultar da voz das equipas reforça a importância do feedback interno no desenvolvimento da organização. «Tem um valor especial por nascer da voz de quem cá trabalha: é o feedback dos nossos colaboradores que nos desafia, ajuda a melhorar e confirma o caminho.»
De acordo com Irene Vieira Rua, a cultura da empresa assenta em cinco valores fundamentais – autenticidade, inovação, paixão, proximidade e rigor – que orientam tanto as decisões estratégicas como as práticas do dia-a-dia. «São muito mais do que um quadro na parede: são comportamentos que se tornam escolhas no dia a dia e que sustentam a forma como cuidamos das pessoas, tomamos decisões e entregamos impacto.»
Propósito e impacto social como motores de motivação
Um dos elementos que distingue a proposta de valor da organização enquanto empregador é o propósito associado à sua actividade. No Doutor Finanças, explica Irene Vieira Rua, o trabalho das equipas tem uma ligação directa ao impacto que a empresa procura gerar na vida das pessoas, ajudando famílias a tomar decisões financeiras mais informadas.
Esse alinhamento entre missão e actividade diária contribui para reforçar o envolvimento das equipas. «No Doutor Finanças, o trabalho diário tem um impacto directo na vida das pessoas, ajudando famílias a tomar decisões financeiras mais informadas e sustentáveis», refere.
A missão da empresa – simplificar e democratizar o acesso à informação financeira – não se limita, contudo, à relação com os utilizadores. Segundo a responsável, essa lógica é também aplicada internamente, através da partilha de conhecimento e da promoção de aprendizagem contínua entre equipas.
«Vivemos a nossa missão de simplificar e democratizar informação financeira de dentro para fora, e isso é algo que se sente no dia-a-dia», explica Irene Vieira Rua. «A democratização da informação aplica-se também às nossas equipas: na partilha constante de conhecimento, na troca de experiências entre áreas, no uso aberto do portal e das ferramentas internas.»
Este modelo contribui para reforçar o sentido de pertença dos colaboradores, na medida em que permite compreender de forma clara o impacto do seu trabalho. «Este compromisso reforça o sentido de pertença, porque cada pessoa consegue ver o impacto directo do seu trabalho na literacia e no bem-estar financeiro do País.»
Relações próximas e liderança acessível
A cultura organizacional da empresa procura também traduzir-se em práticas concretas no quotidiano das equipas. Proximidade, transparência e espírito de equipa são três dimensões que, segundo Irene Vieira Rua, se reflectem tanto na relação entre colegas como na forma como a liderança se posiciona.
«A proximidade constrói-se nos rituais de equipa e na intenção diária de contacto, seja presencial ou remoto», explica. Estes momentos de alinhamento e partilha procuram garantir que as pessoas se sentem acompanhadas no seu trabalho e que existe espaço para discutir desafios ou novas ideias.
A transparência é igualmente um elemento central na comunicação interna. «Procuramos partilhar de forma clara os objectivos, as prioridades e os critérios que orientam decisões», refere a Chief People Officer, acrescentando que a equipa de Pessoas e Cultura desempenha um papel importante como ponte entre as pessoas e o negócio.
Num modelo de trabalho que combina presença física e trabalho remoto, a organização tem procurado reforçar mecanismos que garantam colaboração e coesão entre equipas. A política de trabalho híbrido, explica Irene Vieira Rua, procura estabelecer expectativas claras sobre formas de colaboração e práticas de bem-estar.
«Temos uma política de trabalho híbrido que não é apenas um conjunto de regras: é um enquadramento que define janelas de colaboração, expectativas claras e boas práticas de bem-estar», afirma. Para a responsável, a clareza sobre o funcionamento do modelo é um dos factores que contribuem para o desenvolvimento de relações de confiança.
Desenvolvimento contínuo e preparação para o futuro
Num contexto de transformação acelerada do sector financeiro, marcado por evolução tecnológica e mudanças regulatórias constantes, o desenvolvimento de competências assume um papel estratégico. No Doutor Finanças, a formação e a aprendizagem contínua são encaradas como elementos centrais para acompanhar essas mudanças.
«Num sector como o nosso, onde tecnologia, finanças e regulação evoluem a grande velocidade, preparar as equipas para acompanhar essa transformação é uma prioridade permanente», afirma Irene Vieira Rua.
A organização tem apostado em programas de formação técnica e tecnológica, bem como no desenvolvimento de competências regulatórias necessárias ao exercício de determinadas funções. Paralelamente, procura estimular uma cultura que valoriza a experimentação e a melhoria contínua.
Para a responsável, a aposta na formação é também uma forma de garantir sustentabilidade organizacional. «Contratar talento é sempre desafiante; desenvolver talento é estratégico », afirma.
Este investimento torna-se particularmente relevante num contexto de crescimento da empresa, que conta actualmente com cerca de 350 pessoas na equipa interna e mais de 420 na rede de franchising. Segundo Irene Vieira Rua, essa expansão tem criado novas oportunidades de mobilidade interna e de evolução profissional.
«Em resumo, a formação não é apenas sobre adquirir conhecimento; é sobre criar futuro. É sobre preparar as pessoas para o que vem aí, e preparar a organização para continuar a caminhar, consistente e humanamente, ao ritmo do mundo.»
Bem-estar e escuta activa como bases da cultura
A promoção do bem-estar e da saúde emocional dos colaboradores é outra das áreas que tem merecido atenção crescente. A organização disponibiliza apoio psicológico aos colaboradores e promove iniciativas destinadas a incentivar uma maior abertura na discussão de temas relacionados com saúde mental.
«No Doutor Finanças acreditamos que o bem-estar, o equilíbrio e a saúde emocional não são um extra. São a base sobre a qual se constrói desempenho sustentável, relações de confiança e uma cultura saudável», sublinha Irene Vieira Rua.
Entre as iniciativas criadas com este objectivo encontra- -se o Bloco, um espaço pensado para promover momentos de convívio e actividades de bem-estar entre colegas, desde aulas de padel a actividades criativas.
A escuta activa das equipas é igualmente considerada essencial para ajustar práticas e políticas internas. Para isso, a organização recorre a diferentes instrumentos de recolha de feedback, incluindo inquéritos internos, o Trust Index do Great Place to Work e momentos de diálogo directo entre colaboradores e a equipa de Pessoas e Cultura.
«Recolher e integrar feedback é, para nós, um exercício contínuo de escuta activa», explica Irene Vieira Rua. «No fundo, acreditamos que uma cultura forte se constrói também assim: ouvindo com intenção e tendo a humildade e a coragem de ajustar o caminho com base no que as pessoas nos dizem.»
Para os próximos anos, a prioridade passa por continuar a desenvolver as pessoas e reforçar as condições para que cada colaborador encontre o seu próprio percurso dentro da organização. O objectivo, conclui Irene Vieira Rua, é consolidar um ambiente onde as pessoas se sintam desafiadas a crescer e reconhecidas pelo impacto do seu trabalho.
«Queremos continuar a construir uma organização onde as pessoas se sentem seguras para serem quem são, desafiadas a crescer e reconhecidas pelo impacto que têm. É assim que se constrói, e se consolida, um verdadeiro Great Place to Work.»
Este artigo foi publicado na edição de Março (nº. 183) da Revista da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














