Burnout académico: sinais a que deve estar atento

Human Resources
28 de Agosto 2025 | 16:00

Setembro marca o regresso às aulas e com ele, muitas vezes, regressa também a pressão, a exaustão, o medo de falhar. Em vez de entusiasmo, há ansiedade. Em vez de curiosidade, há cansaço. Em vez de crescimento, há esgotamento. É neste contexto que o burnout académico emerge, cada vez mais cedo, cada vez mais invisível e, por isso, ainda mais perigoso.

 

Segundo Cátia Silva, psicóloga clínica especializada em Ansiedade, Burnout, Depressão, PHDA e Autoestima, o burnout académico não é «falta de vontade” nem uma “birra adolescente”: “É um estado de exaustão emocional, mental e física provocado por um excesso de exigência escolar, muitas vezes acumulado ao longo de meses ou anos. É quando o estudo, que devia ser um espaço de descoberta e autonomia, se transforma num campo de batalha interno. Este fenómeno afeta adolescentes e universitários, mas cada vez mais as crianças também. Temos visto casos em que o burnout começa no ensino básico, sobretudo quando há uma cultura de hiperexigência instalada desde cedo: testes constantes, explicações após as aulas, pouco tempo livre, excesso de atividades extracurriculares, pressão para ser “o melhor” e, por vezes, o peso adicional de expectativas parentais difíceis de suportar».

Nem sempre é fácil identificar o burnout académico, sobretudo porque, segundo Cátia Silva, muitos jovens escondem o que sentem para não “desiludir”.

Mas há sinais a que devemos estar atentos, saiba quais são:

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. Fadiga constante, mesmo após descanso

. Perda de interesse pelo estudo ou por atividades que antes gostava

. Baixa autoestima e autocrítica excessiva

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. Irritabilidade, isolamento ou apatia

. Dificuldade de concentração e memorização

. Queixas físicas (dores de cabeça, problemas de sono, náuseas)

. Medo excessivo de falhar ou de “não ser suficiente”

 

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Estes sintomas são frequentemente confundidos com preguiça, falta de motivação ou rebeldia, quando na verdade, podem ser comportamentos silenciosos de um corpo e mente sobrecarregados.

Algumas estratégias práticas que podem ajudar:

. Promover rotinas equilibradas com tempo para descanso, lazer, sono e socialização;

. Evitar sobrecargas com explicações e actividades extracurriculares em excesso;

. Falar sobre emoções relacionadas com a escola, validando medos e frustrações;

. Encorajar pausas e momentos criativos entre períodos de estudo;

. Reforçar a autoestima com base no valor pessoal e não apenas no desempenho.

 

Se uma criança ou jovem já apresenta sinais de burnout, o mais importante é criar um espaço de escuta segura, sem julgamento, sem pressão, sem soluções imediatas. É preciso abrandar: talvez reavaliar o número de actividades, flexibilizar metas, procurar apoio psicológico e, sobretudo, devolver tempo para respirar.

«Para os pais, pode ser difícil aceitar que o/a filho/a “precisa de parar” ou “está a sofrer com a escola”, mas reconhecer isso é um gesto de coragem e de amor. O burnout académico não é sinal de fraqueza. É sinal de que o sistema precisa de ser repensado e que os nossos filhos precisam de ser ouvidos antes de serem cobrados», conclui Cátia Silva.

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