Burnout ou solidão disfarçada? A causa pode estar numa “crise de desconexão”

Human Resources
7 de Maio 2025 | 14:40

Embora as discussões sobre o burmout se concentrem geralmente na gestão da carga de trabalho e em melhor conciliação vida profissional e pessoal, Josie Santi propõe que pode ser apenas solidão e falta de engagement interpessoal, noticia a Worklife. A coach de saúde holística reformula o burnout não como um problema de produtividade, mas como uma “crise de desconexão”, principalmente entre os profissionais Millennials e da Geração Z.

«Quando estava a lidar com burnout, pensei o que a maioria pensa: preciso de ter mais estrutura e de estabelecer mais limites no trabalho. Preciso de ter mais tempo para mim», recorda. «Tinha a rotina matinal perfeita. Adoptei todos os hábitos de bem-estar e mesmo assim ainda me sentia esgotada. Aprendi que não precisava de mais estrutura — precisava de me rir. Precisava de me divertir.»

«A desconexão — dos nossos corpos, das nossas equipas e até da estrutura dos nossos próprios dias — está no cerne de grande parte do que chamamos de burnout», explica Melissa Painter, fundadora da plataforma de bem-estar Breakthru, utilizada por empresas como Microsoft, PwC e Walmart para ajudar os colaboradores a gerir o stress, a melhorar o foco e a sentirem-se mais ligados a si próprios e uns aos outros ao longo do dia de trabalho. «Não se trata apenas de demasaido trabalho — trata-se de pouca recuperação, pouca iniciativa e pouca interacção significativa.»

«O burnout e a solidão são frequentemente tratados como problemas separados, mas partilham as mesmas raízes: dinâmicas relacionais no trabalho danificadas», defende Dan Pelton, psicólogo clínico. «Quando os colaboradores se sentem ignorados ou excluídos, não entram apenas em burnout — retraem-se. Isto alimenta a solidão, que por sua vez reforça a falta de engagement. Não é preguiça ou fragilidade — é uma resposta protectora a um sistema que deixou de se importar», acrescenta.

Num episódio recente do “The Everygirl Podcast”, Jody Carrington, psicóloga clínica, desafiou directamente a abordagem corporativa desgastada às soluções de bem-estar, o que pode acabar por acrescentar mais pressão em vez de a aliviar. «Nunca estivemos tão desligados como agora.»

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A seu ver, a cultura mercantilizou o autocuidado a tal ponto que se resume mais aos livros e outros produtos que se deve comprar do que ao que precisa de se pôr em prática.

«A vida fora do trabalho tem impacto na carreira, e a carreira tem impacto na vida fora do trabalho — estão interligadas», por isso propõe uma abordagem mais holística, que iguale o nível de energia investido na vida profissional e na vida pessoal. Sugere criar oportunidades para desenvolver empatia no local de trabalho, promover ligações genuínas com colegas que vão além das questões de trabalho e reconhecer “micromomentos de ligação” — cumprimentar um vizinho ou perguntar ao empregado do café como está a correr o seu dia.

E aconselha dar descanso ao smartphone. Reservar períodos do dia sem dispositivos, principalmente à noite, serve não só para incutir tranquilidade, mas também para combater as ligações artificiais. «Acordamos de manhã, verificamos e-mails e mensagens, navegamos pelo X e pelo Instagram e sentimos esta sensação artificial de ligação que, na verdade, não nos satisfaz.»

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«O que as pessoas precisam não é de mais conteúdo ou de mais tarefas nas suas listas, mas sim de mais permissão para parar, para se afastar, para se mexer, para recomeçar», conclui Melissa Painter.

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