Candidatos e empregadores usam cada vez mais a IA no recrutamento. Mas isso trouxe uma nova tendência (preocupante)

Human Resources
9 de Setembro 2025 | 09:40
Candidatos e empregadores usam cada vez mais a IA no recrutamento. Mas isso trouxe uma nova tendência (preocupante)

Quase 30% dos candidatos a emprego utilizaram a IA para elaborar ou personalizar os seus currículos ou cartas de apresentação, mas os empregadores estão cautelosos com candidaturas fraudulentas ou geradas por IA e com perfis falsos de candidatos, noticia o Allwork Space.

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Existe uma desconexão significativa no processo de contratação; mais de 59% dos candidatos afirmam não ter recebido qualquer resposta após se candidatarem a vagas, enquanto mais de 50% dos empregadores relatam ter sido ignorados pelos candidatos — seja por não comparência ou por comunicações interrompidas, de acordo com o Relatório do Estado do Recrutamento Online de 2025 da iHire.

O relatório oferece uma análise detalhada de como empregadores e candidatos estão a navegar num ambiente de contratação complexo, onde a adopção de tecnologia, as pressões económicas e as mudanças nas expectativas continuam a redefinir as estratégias de recrutamento.

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De acordo com o relatório, 68,6% dos empregadores realizam a maior parte ou a totalidade das suas contratações através de sites de ofertas de emprego, e 79,5% dos candidatos ainda dependem deles para encontrar vagas.

No entanto, os empregadores já não se contentam com anúncios de emprego básicos. Pretendem plataformas que ofereçam funcionalidades avançadas — como ferramentas de mensagens, perguntas de pré-triagem, avaliações de competências, agendamento de entrevistas e integrações com sistemas de rastreio de candidatos (ATS).

Principais características que os empregadores desejam nos sites de ofertas de emprego:

  • E-mail/mensagens de texto com os candidatos (47,1%)
  • Ferramentas de pré-triagem e filtração (44,6%)
  • Avaliações de competências (28,4%)
  • Integrações com ATS e optimização de anúncios de emprego

Ao mesmo tempo, muitos empregadores estão a diversificar as suas estratégias de recrutamento. 71,3% utilizam referências de colaboradores, 49,5% utilizam o site da empresa e quase 46% dispõem do LinkedIn e de outras plataformas de networking profissional. Os candidatos a emprego utilizam também uma rede ampla, acedendo a sites de empresas, motores de busca e redes pessoais.

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A inteligência artificial está rapidamente a tornar-se uma constante no recrutamento. Em 2025, 25,9% dos empregadores referem utilizar IA — um aumento acentuado em relação aos 14,7% em 2024 e apenas 4,9% em 2023, um aumento de 428% em dois anos.

Os empregadores estão a utilizar a IA para:

  • Escrever anúncios de emprego (73,0%)
  • Redigir e enviar mensagens aos candidatos (68,6%)
  • Triar currículos e candidaturas (32,1%)
  • Realizar entrevistas (16,1%)

Os candidatos a emprego também estão a utilizar a IA com mais frequência. Quase 30% utilizaram a IA para elaborar ou personalizar os seus currículos ou cartas de apresentação, e 6,9% experimentaram ferramentas como o ChatGPT para a procura de emprego.

Contudo, as preocupações persistem. Os empregadores estão cautelosos com candidaturas fraudulentas ou geradas por IA e perfis de candidatos falso, enquanto os candidatos temem o despedimento e a redução da supervisão humana nas decisões de contratação.

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O peso da persistente lacuna de competências e da incerteza económica também é uma realidade. Quase 60% dos empregadores afirmam que é difícil encontrar candidatos qualificados, e mais de 54% esperam que o fosso de competências afecte as contratações no próximo ano.

Os principais desafios do recrutamento em 2025 incluem:

  • Excesso de candidatos não qualificados (59,7%)
  • Ghosting de candidatos (50,7%)
  • Custos com sites de emprego (50,3%)

Em resposta, as empresas estão a virar-se para dentro e a adoptar estratégias criativas para a força de trabalho:

  • 42,3% promoveram ou transferiram colaboradores existentes
  • 30,8% recontrataram ex-colaboradores (“boomerang contracts”)
  • 27,8% investiram no upskilling ou reskilling dos actuais colaboradores

Estas abordagens não só abordam a escassez imediata de talento, como também promovem a estabilidade da força de trabalho a longo prazo, num mercado que ainda está a recuperar da volatilidade económica.

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Com o envelhecimento da força de trabalho e o aumento de candidatos após a reforma, a qualificação profissional tornou-se essencial. Quase 30% dos empregadores afirmam que o envelhecimento da força de trabalho afectará as contratações no próximo ano, e 10,1% dos candidatos referiram que regressarão ao mercado de trabalho após a reforma.

No entanto, a discriminação por causa da idade continua a ser uma preocupação. Mais de 28% dos candidatos mais sénior afirmam que o preconceito etário é um desafio na procura de emprego e 48% esperam que isso afecte as suas carreiras no futuro. Os empregadores são encorajados a utilizar ferramentas como a anonimização de currículos para reduzir o preconceito e criar práticas de contratação mais inclusivas.

Os candidatos também estão cada vez mais selectivos nas suas candidaturas, e os anúncios de emprego vagos ou mal escritos estão a afastá-los. 60,5% querem ver os calendários de contratação, 57,1% pretendem acesso às faixas salariais e quase 41% querem que as informações de contacto do recrutador sejam incluídas nas vagas.

Os candidatos também citaram os anúncios de emprego falsos como uma preocupação crescente, ficando logo atrás do ghosting. Publicações claras, detalhadas e transparentes (possivelmente escritas com o auxílio de IA) podem diferenciar os empregadores num mercado de trabalho competitivo.

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