Canon Young People Programme: mudar o mundo através da lente dos jovens

Human Resources com Lusa
6 de Março 2026 | 12:50

Através da fotografia, jovens de comunidades vulneráveis estão a transformar a forma como olham – e mostram – o mundo. Com o Canon Young People Programme, descobrem a força da criatividade e tornam-se embaixadores da consciência social e da mudança com impacto.

 

Por Tânia Reis

 

O conhecido ditado “Uma imagem vale mais do que mil palavras” ganha vida com o Young People Programme da Canon. Através da fotografia, jovens de comunidades vulneráveis manifestam a sua voz e tornam-se agentes de mudança.

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Viver e trabalhar juntos para o bem comum – “Kyosei” – é precisamente a filosofia corporativa da marca nipónica, que serviu de inspiração para o Canon Young People Programme (CYPP), conta Adam Pensotti, head do programa na região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA). «Com o CYPP, descobrimos uma forma de utilizar o nosso conhecimento e experiência em imagem, mais especificamente em fotografia e impressão, para permitir que os jovens de comunidades marginalizadas encontrem uma voz.» Expressão criativa, pensamento crítico sobre o mundo à sua volta, narrativa e storytelling visuais, e trabalho em equipa são as competências-chave em que o programa aposta. «Os jovens ganham oportunidades equitativas para desenvolverem habilidades criativas, bem como a confiança necessária para partilharem as suas histórias.»

 

A missão global
Foi em 2015, ano em que a ONU adoptou os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que o CYPP surgiu, com vista a contribuir para a concretização desses mesmos objectivos. «Desde então, temos vindo a expandir o nosso programa em toda a região EMEA, com a missão de inspirar, educar e capacitar a próxima geração de storytellers.»

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Actualmente, o CYPP está implementado em 32 países – da Finlândia, no norte, à África do Sul, no sul, passando por Marrocos, a oeste, e Cazaquistão, a leste. «Só no ano passado, ajudámos a educar mais de dois mil jovens», o que eleva o total para mais de 10 mil desde o início do programa, acrescenta o responsável.

Em cada país, o programa é realizado em parceria com escolas locais e ONG – referenciadas pelos colaboradores da Canon nos diferentes países –, explica, parceiros esses que depois apoiam na identificação e no contacto com os jovens e as comunidades que mais precisam de apoio, realizando workshops e amplificando a voz dos participantes.

«Os workshops do CYPP oferecem mais do que apenas aulas de fotografia – despertam a paixão e o pensamento crítico, permitindo que os jovens enfrentem os desafios das suas comunidades de forma criativa.» Munidos de câmaras, esses jovens storytellers destacam questões como as alterações climáticas e a desigualdade social, tornando-se embaixadores da mudança nas suas comunidades. «Esse impacto personifica a filosofia “Kyosei” da Canon», reforça Adam Pensotti, «transformando este ideal em acção, unindo comunidades e parceiros para capacitar melhor a próxima geração, independentemente da etnia, religião ou cultura, e vivendo e trabalhando juntos em harmonia no futuro. Estes jovens agentes de mudança inspiram outros a ver o mundo através dos seus olhos e a trabalhar juntos por um futuro melhor.» Mais do que apenas um programa, garante que o CYPP é uma plataforma para a mudança, a inclusão e a capacitação dos jovens em toda a região EMEA.

Num contexto de diferentes realidades sociais e culturais, o programa é «diversificado, criativo e capacitador», dando a oportunidade de trabalhar com organizações locais, «ajudando-as a alcançar os seus objectivos e com jovens com grandes ideias, dispostos a contribuir e a trabalhar arduamente para tornar o mundo um lugar melhor e realmente fazer diferença significativa na sua comunidade ». Para Adam Pensotti, «os jovens de hoje são os líderes de amanhã», e o programa proporciona-lhes o conhecimento, as competências e a confiança necessários para abordarem as questões sociais e de sustentabilidade importantes para eles, utilizando a criatividade e o pensamento crítico. «Em todo o mundo, há jovens com uma história para contar, um desejo de criar mudanças e de tornar o futuro mais brilhante para todos nós, e estamos a trabalhar para os apoiar de todas as formas que pudermos.»

 

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O caso português
Em Portugal, está presente desde 2022, com a primeira edição desenvolvida na Escola Profissional Vale do Rio, em Oeiras, em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa. Uma turma específica, constituída por 12 alunos, recebeu formação em fotografia, complementada por conteúdos dedicados a vários ODS da ONU que integram o programa.

A partir de 2023, o programa passou a ser implementado na Escola Secundária Quinta do Marquês, também em Oeiras, tendo como parceira a ONG Instituto Marquês de Valle Flôr, através dos projectos “Projeto Human” e “People & Planet: A Common Destiny”, revela. «Desde então, têm participado alunos entre os 16 e os 18 anos, que continuam a explorar a fotografia como ferramenta de expressão e transformação social», aprofundando temáticas ligadas aos ODS e ao impacto destes nas suas comunidades.

Ao longo do programa, os estudantes são desafiados a apresentar projectos constituídos por imagens e um texto descritivo, identificando problemas reais das suas comunidades, inspirados nos ODS incluídos no programa, e propondo soluções concretas. No final de cada edição, os trabalhos são apresentados e os dois melhores projectos são premiados.

O maior desafio tem sido a coordenação com o calendário escolar dos alunos, uma vez que esta se trata de uma actividade extracurricular, realça o head do CYPP. «Como as aulas são normalmente realizadas no período lectivo, é necessário conciliar horários e disponibilidades dos alunos e da escola», o que por vezes pode dificultar a integração do programa em instituições onde não existe disponibilidade para actividades adicionais. O facto de a Escola Secundária Quinta do Marquês não ter aulas nas tardes de sexta-feira facilitou a integração do programa e a organização das sessões.

Ainda que, em Portugal, o programa se tenha mantido estável e sem grandes alterações estruturais, o responsável destaca um marco importante ocorrido no último ano: a realização de uma exposição na Escola Secundária Quinta do Marquês, onde foram apresentados trabalhos da edição anterior e da edição actual. «Esta iniciativa teve um impacto muito positivo, aumentando a visibilidade do programa e motivando um maior número de alunos a participarem.» Como consequência, a edição deste ano registou desde logo um aumento no número de participações.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Fevereiro (nº. 182) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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