Carla Gouveia, Healthy Change: Um futuro seja cada vez mais indefinido

Carla Gouveia, executive coach e fundadora da Healthy Change, destaca que «reter talento será tanto mais difícil se o modelo de gestão não for apelativo para as novas gerações, as quais vivenciam no seu dia-a-dia o ritmo alucinante das mudanças. O ritmo da mudança faz com que o futuro seja cada vez mais indefinido. Vivenciar o presente é vivenciar o futuro».

 

«Na 41.ª edição do Barómetro da Human Resources, aborda-se o tema de como operacionalizar o teletrabalho, o impacto da guerra nas empresas em Portugal e a pressão sobre a gestão de talento. Operacionalizar o teletrabalho revela-se uma dor de cabeça, quando ao final de dois anos e meio este assunto já nem deveria ser assunto. Em termos de despesas, a maioria das empresas não paga as despesas adicionais porque não têm como justificá-las fiscalmente e, por outro lado, porque a forma de quantificação real do acréscimo de custo não está clara. Não há dúvida que somos um país de boas intenções, no entanto, a verdade é que as empresas, mesmo querendo corresponder às expectativas dos colaboradores, vêem-se confrontadas com dificuldades na operacionalização das leis.

Com a guerra na Ucrânia há uma pressão económica e logística. Cerca de 71% das empresas referem a escassez de matérias-primas associada à dificuldade com o transporte das mesmas. A incerteza do fim da guerra traz dificuldades aos negócios e, consequentemente, afecta negativamente as empresas. Infelizmente, a expectativa é que esse impacto negativo continue a agravar-se nos próximos tempos, enquanto a guerra durar.

Presentemente, vivemos tempos muito difíceis, em que os valores humanitários são postos em causa. Por isso, para além do impacto económico, o impacto social é aquele que mais me indigna.

O barómetro deste mês traz-nos mais dados sobre a dificuldade das empresas em atraírem e reterem talento. Também nos diz que essa dificuldade varia consoante os perfis desejados, com preponderância para os tecnológicos. Esta é uma realidade com que as empresas têm de lidar diariamente, o que as leva a reforçarem as equipas internas, os canais digitais e a utilização de parceiros especializados.

Nos últimos tempos, a minha experiência nos projectos desenvolvidos nas empresas revela haver uma procura significativa de talentos de outras nacionalidades, nomeadamente recorrendo ao trabalho remoto. Também constatei a necessidade de as empresas se tornarem mais ágeis. Será que faz sentido, ainda, que cerca de 60% das empresas definam os objectivos para os seus colaboradores com uma base anual?

Do meu ponto de vista, não! O mundo está em constante mudança, afirmo mesmo que muda diariamente. Assim, a gestão empresarial tem de acompanhar esta dinâmica e definir objectivos para os seus colaboradores em ciclos mais curtos.

Reter talento será tanto mais difícil se o modelo de gestão não for apelativo para as novas gerações, as quais vivenciam no seu dia-a-dia o ritmo alucinante das mudanças. O ritmo da mudança faz com que o futuro seja cada vez mais indefinido. Vivenciar o presente é vivenciar o futuro.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Maio (nº.137) da Human Resources, no âmbito da XLI edição do seu Barómetro. Está nas bancas. Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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