Carlos Rabadão, Instituto Politécnico de Leiria: Criatividade, inovação e talento

Human Resources
16 de Dezembro 2025 | 14:00
Carlos Rabadão, Instituto Politécnico de Leiria: Criatividade, inovação e talento

Como preparar líderes para os desafios da próxima década.

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Por Carlos Rabadão, presidente do Instituto Politécnico de Leiria

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Na próxima década será marcada por uma transformação profunda, impulsionada pela inteligência artificial (IA) e pela digitalização em larga escala. O conhecimento renova-se hoje a um ritmo vertiginoso, e as competências técnicas, por si só, já não bastam para garantir relevância profissional ou sucesso organizacional. O futuro exigirá líderes capazes de pensar de forma criativa, agir com visão e mobilizar o talento humano para enfrentar desafios complexos e imprevisíveis. A criatividade, a inovação e o talento constituem, assim, os pilares de uma nova liderança – mais humana, colaborativa e orientada para o impacto social.

A criatividade permite imaginar o que ainda não existe, a inovação transforma essa imaginação em valor concreto e o talento garante a energia e a competência necessárias para concretizar ideias e gerar mudança. Estes três elementos são inseparáveis e formarão a base da preparação dos profissionais e dos líderes que moldarão o mundo nos próximos anos.

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Neste processo, o ensino superior assume um papel central. As instituições de ensino são muito mais do que espaços de transmissão de conhecimento: são centros fulcrais de pensamento crítico, de experimentação e de descoberta. É nelas que se deve promover a curiosidade intelectual, o espírito empreendedor e a capacidade de trabalhar de forma colaborativa. Formar profissionais criativos e inovadores significa proporcionar-lhes experiências de aprendizagem que combinem teoria e prática, ciência e imaginação, tecnologia e ética.

A inteligência artificial vem reforçar esta necessidade. Num cenário em que as máquinas aprendem e executam tarefas complexas com precisão crescente – e até se aventuram a criar textos, imagens e ideias “criativas”, com resultados por vezes surpreendentes –, o valor humano reside naquilo que é insubstituível: a empatia, a intuição e a capacidade de dar sentido à tecnologia.

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Os líderes da próxima década terão de ser mediadores entre o mundo digital e o humano, capazes de usar a IA como ferramenta de progresso, sem perder de vista os princípios éticos e sociais que devem orientar a inovação.

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Contudo, preparar líderes para este futuro não é responsabilidade exclusiva das instituições de ensino. As empresas têm igualmente um papel determinante, não apenas enquanto empregadoras, mas como agentes de inovação e de captação de talento. O diálogo entre academia e tecido empresarial deve ser contínuo, estratégico e orientado para resultados partilhados. É dessa articulação que nascem ecossistemas de inovação mais fortes, capazes de antecipar tendências, desenvolver soluções e criar oportunidades.

Projectos de cocriação, programas de incubação, investigação aplicada e estágios orientados para desafios reais – desde a saúde digital às cidades inteligentes – são exemplos concretos de como academia e empresas podem, juntas, preparar profissionais mais aptos a liderar a mudança. Esta cooperação é também essencial para garantir que a formação acompanha a evolução do mercado de trabalho e das tecnologias emergentes.

Num tempo em que o futuro se constrói em rede, torna-se igualmente relevante que estas duas esferas – o ensino superior e o sector empresarial – se encontrem, debatam e planeiem em conjunto. É neste tipo de encontros que se gera o pensamento que fará avançar as organizações e a sociedade.

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Porque preparar líderes para o futuro não é apenas uma questão de ensinar competências, mas de criar pontes entre conhecimento e acção, entre tecnologia e humanidade, entre o que somos e o que ainda podemos ser.

 

Este artigo foi publicado na edição de Novembro (nº. 179) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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