Carlos Sezões, Darefy: Planear (ou gerir com base em cenários)

Human Resources
8 de Outubro 2025 | 14:00
Carlos Sezões, Darefy: Planear (ou gerir com base em cenários)

O workforce planning tradicional e linear, com base em dados históricos, já não é exequível, pelo que a análise prospectiva e o desenho de cenários trarão, aqui, valor acrescentado.

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Por Carlos Sezões, Managing partner da Darefy – Leadership & Change Builders

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O já muito apregoado mundo VUCA devia fazer repensar os gestores e líderes organizacionais. De facto, se consideramos o contexto empresarial de hoje volátil, imprevisível, incerto e ambíguo (ao contrário de uma certa linearidade, no meio do trabalho e das empresas, dos 100 anos precedentes), devíamos realinhar muitas das nossas ferramentas de estratégia e de management. Algo que, em 2025, pelo que sei, ainda não acontece em boa parte das empresas. Os rituais de planeamento estratégico rígido, com os desdobramentos de operações/actividades e orçamentos, ainda vivem muito da convicção de que podemos prever o futuro com base nos dados do passado. Como ano após ano todos poderão constatar, tal já não é aderente à realidade.

As empresas não podem prever com exactidão o que pode suceder no médio-longo prazo em relação a um dado mercado. Mas podem construir visões alternativas, fruto da conjugação de duas ou três variáveis críticas: e, sim, falamos de cenários. Pensar estrategicamente, analisar e planear com base em cenários ajuda as organizações a ajustar as suas vantagens competitivas, aumentar a sua resiliência concorrencial e preparar-se para desafios que se possam vislumbrar no futuro.

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Como fazer? Primeiro, definir um intervalo de tempo razoável (por exemplo, dois ou três anos). Em seguida, identificar as forças motrizes que podem afectar a organização na sua visão e estratégia. Uma análise PESTEL (acrónimo de political, economic, social, technological, environmental e legal) permitirá extrair informação da realidade envolvente e as suas linhas de evolução. Forças como disrupções tecnológicas, preferências socioculturais e comportamentos do consumidor, alterações na regulação, acesso a matérias-primas ou comportamento das cadeias logísticas são alguns exemplos que nos relembram as variáveis (e incertezas) do presente.

Como terceiro passo, identificar e prioritizar as ditas incertezas críticas – em concreto, os factores que causarão o maior impacto na organização, combinados com a maior probabilidade de ocorrer. Depois, desenvolver cenários possíveis (por exemplo, em matriz).

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Poderemos então encarar e analisar a nossa baseline (estado actual e suposição de que a realidade permanecerá linear), o melhor cenário (um estado futuro ideal) e o pior cenário (estado futuro indesejável). E, a partir daqui, formular forecasts inteligentes (previsões do estado futuro com base em suposições e variáveis correlacionadas). Exigente? Sim. Mas muito útil.

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Numa perspectiva mais micro e funcional, a análise de cenários pode ser decisiva no planeamento estratégico (e ágil) de Talento – e de todas as sub-áreas relacionadas, como atracção, compensação ou desenvolvimento. Questões a responder:

De que talento e competências específicas necessitaremos nas nossas equipas para concretizar estratégia e metas definidas?

Quais as melhores opções de resourcing para os vários contextos/cenários possíveis? Contratação (aumento do headcount)? Treino e desenvolvimento interno de competências? Recurso parcial a freelancers ou outsourcing?

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Quais as actividades que serão essencialmente garantidas pelo capital humano e quais as que poderão ser automatizadas/ digitalizadas, com recurso, por exemplo, a agentes de inteligência artificial?

Em suma, a análise de cenários ajuda a ultrapassar a tendência (natural) de planear o que esperamos que aconteça e não pensar em futuros alternativos. Os gestores que consideram uma ampla variedade de cenários possíveis (“what if?”) e o seu impacto no negócio estarão em melhor posição para aproveitar oportunidades – muitas delas inesperadas – e ajustar a respectiva estratégia.

Sim, é uma questão de mindset – que fará toda a diferença.

 

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Este artigo foi publicado na edição de Setembro (nº. 177) da Human Resources

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