O director executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, defendeu que a carreira médica devia prever condições diferentes consoante as especialidades e regiões do país, considerando que a situação actual gera desequilíbrios.
«Não é a mesma coisa o esforço de um médico de Medicina Interna numa urgência como a do Amadora-Sintra ou o de outras especialidades que trabalham das 09h00 às 17h00», disse o responsável durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde sobre as vagas por preencher no internato médico.
Para Álvaro Almeida, o facto de a carreira ser igual para todos os médicos, independente da especialidade, faz com que algumas sejam menos procuradas e o sistema tenha mais dificuldade em atrair para as especialidades mais deficitárias no SNS, como a Medicina Interna.
«Com o agravamento de que na Medicina Interna não há capacidade para a produção adicional», disse o responsável, acrescentando: «nunca resolveremos o problema da Medicina Interna enquanto mantivermos o princípio de que todos ganham o mesmo, seja no Amadora-Sintra ou no Santo António, no Porto».
O director executivo do SNS instou os deputados a reflectirem sobre esta matéria, defendendo que se não forem criadas «diferenciações pela positiva» para alguns casos «dificilmente se resolve o problema» das especialidades mais deficitárias, como a Medicina Interna, onde «as condições de trabalho são mais penosas e a perspectiva de carreira é menos aliciante».
Questionado pelos deputados sobre a estratégia na abertura de vagas para o internato médico, disse que a opção foi abrir mais para alargar o leque de escolha dos candidatos e que é a isso que se deve o aumento de vagas por preencher, sublinhando, por outro lado, que o número de médicos que escolhem a especialidade tem aumentado de ano para ano.
Segundo Álvaro Almeida, o último concurso para o internato médico, em 2025, «foi o melhor dos últimos anos», com o maior número de médicos colocados, exemplificando com números: «Ficaram colocados no internato mais 11 do que em 2024 e mais 26 do que em 2023».
«A estratégia seguida está a funcionar», defendeu, sublinhando que olhar para o internato apenas pelo número de vagas por preencher «é olhar de forma errada».
O director executivo do SNS adiantou que também em Medicina Geral e Familiar (MGF) o número de vagas aumentou (mais 65) e as ocupadas cresceram de 453 em 2023 para 457 em 2024 e 461 em 2025. No total das especialidades, houve mais 173 vagas abertas no ano passado do que em 2024 e, segundo os resultados do concurso, ficaram por preencher 20%.
Apontando também como especialidades deficitárias no SNS a Pediatria, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia, Álvaro Almeida insistiu que «se há mais vagas por preencher é sinal de que as instituições de saúde aumentaram a sua capacidade formativa (…) e isso permite abrir mais vagas».
«Claro que se o número de médicos candidatos é limitado, há mais vagas por preencher», disse o responsável, que considerou que o facto de Portugal ter mais médicos por habitante do que a media da UE – «mesmo depois das necessárias correcções» – não significa que haja médicos a mais.
E justificou, dizendo que a média da UE é «insuficiente para as necessidades» e que algumas especialidades têm um «défice profundo» de especialistas, exemplificando com MGF, MI, Pediatria, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia.
Questionado também sobre o mapa de necessidades do SNS, Ávaro Almeida disse que a Direcção Executiva do SNS conhece as necessidades, as especialidades mais deficitárias e as regiões mais carenciadas.
Quanto à divulgação pública dessa informação, remeteu para a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que é quem define quantas e quais as vagas a abrir, depois de atribuídas as idoneidades formativas pela Ordem dos Médicos.













