Por Tânia Reis
Desde 2019, Lisboa integra a rede global do programa Cities for Better Health, uma iniciativa da Novo Nordisk, que procura melhorar a saúde nas cidades. Através de parcerias locais, apoia soluções que ajudam a «tornar a saúde mais presente no dia-a-dia das pessoas, seja na rua, na escola, nos espaços públicos ou na comunidade», explica Helena Novais, directora de Corporate Affairs da empresa em Portugal.
Na Novo Nordisk, iniciativas como esta são parte integrante da missão da farmacêutica, guiada por um princípio claro: «O sucesso da empresa depende também de um impacto positivo na sociedade. » Por essa razão, o alinhamento com o negócio acontece de forma natural, realça. «O nosso propósito é prevenir e tratar doenças crónicas graves. Quando as nossas iniciativas de responsabilidade social contribuem para comunidades mais saudáveis, ao combater o sedentarismo e a obesidade infantil, estamos a proteger a sustentabilidade dos sistemas de saúde e a cumprir a nossa missão a longo prazo.»
Segundo o relatório da OCDE “Step Up! Tackling the Burden of Insufficient Physical Activity in Europe”, Portugal posiciona-se entre os países europeus com menores níveis de actividade física entre adolescentes e adultos. «São dados que desenham um cenário extremamente preocupante que não podemos ignorar », considera a responsável. «Se queremos mitigar a carga das doenças crónicas nas próximas décadas, temos de agir quando e onde os hábitos de saúde se estruturam, concretamente durante a infância e no contexto de desenvolvimento de cada um.»
O poder do brincar activo
Uma das iniciativas do programa Cities for Better Health é o Active Play Challenge, que «procura aumentar as oportunidades de movimento e interacção social nas comunidades urbanas, especialmente junto de crianças e jovens». E fá-lo através de três vertentes estratégicas de intervenção prática: Play by Design, Play in Action e Play for Early Years.
Através de projectos que reinventam espaços, actividades e serviços locais, o programa promove ambientes mais inclusivos e convidativos ao brincar. Isto porque o brincar activo desempenha um papel fundamental não só no bem-estar físico, prevenindo o excesso de peso e promovendo o desenvolvimento motor, mas também na saúde mental, na criatividade, na resiliência e na socialização das crianças. «Para a Novo Nordisk, priorizar o brincar activo significa criar as fundações para uma geração futura mais saudável.»
Ao devolver o espaço público às crianças e ao envolver também os pais e cuidadores desde os primeiros anos de vida, o programa reforça o tecido social da comunidade, estimula a interacção entre pares e transforma o ambiente urbano num ecossistema activo, seguro e profundamente inclusivo.
Comunidades no centro da solução
Os grupos populacionais prioritários são crianças e jovens, explica Helena Novais, no entanto, «há um princípio ético de equidade muito vincado no desenho deste programa, pelo que apoiam fundamentalmente as comunidades e contextos socioeconomicamente mais vulneráveis. «A identificação e o envolvimento destes grupos prioritários assentam nas parcerias locais», com autoridades locais, autarquias, organizações não governamentais e associações de moradores, «que conhecem profundamente a realidade de cada bairro».
Adicionalmente, o programa introduz um mecanismo de envolvimento geracional, uma vez que há forte incentivo a candidaturas submetidas por organizações lideradas por jovens entre os 18 e os 25 anos. «Acreditamos, por isso, que dar voz e visibilidade aos jovens para pensarem e desenharem as soluções para as suas próprias comunidades é a forma mais eficaz e sustentável de garantir o envolvimento e o sucesso destas iniciativas», faz notar.
A selecção dos projectos finalistas e vencedores segue um «escrutínio rigoroso focado na inovação prática e na viabilidade das soluções». O processo está desenhado para destacar ideias viáveis que possam ser implementadas no imediato e que abordem as três tipologias de intervenção estipuladas – o Play by Design, o Play in Action e o Play for Early Years. A directora de Corporate Affairs explica que procuram «intervenções inovadoras de carácter espacial e físico que integrem o brincar activo no próprio desenho arquitectónico e urbanístico das habitações, ruas, recintos escolares ou espaços públicos comunitários».
Também são valorizadas actividades e serviços estruturados que integrem o movimento e a recreação física nas rotinas diárias das populações dentro dos espaços urbanos já existentes. E, por fim, são analisadas soluções de design e serviços «focados especificamente nas necessidades de crianças dos zero aos cinco anos, envolvendo também os pais e cuidadores para promover hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida». As propostas que demonstram a melhor articulação entre estes modelos, aliando «parcerias locais sólidas, impacto mensurável e sustentabilidade futura », são depois seleccionadas por um júri especializado.
Leia o artigo na íntegra na edição de Agosto (nº. 188) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.



















