Case Study SAP. Atrair, formar e reter talento: O caso português YPP

A falta de profissionais qualificados em tecnologia continua a desafiar as organizações. Em vez de competir por talento experiente, a SAP aposta em formar novas gerações desde o início. É essa a lógica por trás do Young Professionals Program (YPP). E já apresenta resultados concretos.

Human Resources
9 de Julho 2026 | 10:10

Por Tânia Reis

 

Hoje, são cada vez mais os agentes de inteligência artificial (IA), aplicações empresariais e dados a trabalhar em conjunto para ajudar as organizações a operar com maior inteligência, agilidade e automação. Tornar essa visão de “empresa autónoma” realidade exige uma «nova geração de profissionais capazes de combinar conhecimento tecnológico com compreensão do negócio e competências de consultoria», começa por explicar Hande Genc, HR director, South Europe, Middle East, Africa da SAP.

Reconhecendo, ao mesmo tempo, os desafios que muitos licenciados enfrentam na transição do meio académico para carreiras tecnológicas altamente especializadas, a tecnológica lançou, no ano passado, o “Young Professionals Program” em Portugal, reflectindo «o compromisso em desenvolver capacidades locais, criar oportunidades de carreira para jovens profissionais e reforçar a posição do país no ecossistema de talento da SAP». Consolidada na região EMEA desde 2013, a iniciativa foi criada para colmatar precisamente essa lacuna, tendo já capacitado mais de 5100 jovens profissionais em 48 países, confirma a directora de Pessoas.

Em vez de competir por um número limitado de profissionais experientes, o programa contribui para criar talento. «Responder à escassez de talento tecnológico exige que as organizações invistam mais cedo no ciclo de desenvolvimento dos profissionais.» O YPP é «um exemplo de como as empresas podem contribuir activamente para reduzir o défice de competências digitais, criando simultaneamente oportunidades de emprego qualificadas», partilha.

Continue a ler após a publicidade

No entanto, a edição portuguesa difere das demais. Tradicionalmente, os graduados do programa podem integrar a SAP, clientes ou parceiros do ecossistema SAP, mas, em Portugal, «todos os participantes foram contratados directamente para equipas de consultoria da SAP logo no início», criando uma transição fluida entre aprendizagem e experiência real em projectos.

O Young Professionals Program foi concebido com quatro objectivos principais: desenvolver uma nova geração de consultores SAP com competências orientadas para o futuro, nomeadamente em cloud, IA e transformação digital; criar oportunidades de carreira relevantes para jovens profissionais no início do seu percurso no sector tecnológico; reforçar as capacidades de consultoria da SAP Portugal de forma a apoiar o crescimento e a inovação dos clientes; e posicionar Portugal como um polo estratégico de talento digital dentro do ecossistema SAP.

No fundo, mais do que recrutar talento, «a ambição foi construir uma base sustentável de profissionais capazes de apoiar as jornadas de transformação dos clientes ao longo dos próximos anos». Hande Genc garante que o programa atingiu com sucesso os objectivos definidos. «O nível de interesse superou as expectativas, tendo sido recebidas mais de 400 candidaturas. Após um processo de selecção rigoroso, foram admitidos 24 participantes, correspondendo aos 4% mais bem classificados.» Mais importante ainda, o programa demonstrou que «Portugal dispõe de um conjunto sólido de jovens profissionais altamente qualificados e preparados para contribuir para projectos complexos de transformação digital desde o início das suas carreiras».

Continue a ler após a publicidade

O perfil procurado incluiu características como «elevada capacidade de aprendizagem, pensamento analítico, curiosidade e um interesse genuíno por tecnologia e consultoria». Embora muitos candidatos tivessem formação em áreas tecnológicas, foram igualmente valorizados «perfis académicos diversificados que demonstrassem forte capacidade de resolução de problemas e potencial para prosperar num ambiente de consultoria ». O processo de selecção avaliou desempenho académico, raciocínio lógico, competências de comunicação, potencial para consultoria, motivação e capacidade de aprendizagem.

 

Do desenho à execução
Ainda assim, o YPP apresentou alguns desafios. Um deles foi conceber um programa capaz de acelerar a integração de licenciados com formações académicas diversificadas em funções de consultoria num período relativamente curto. Para responder a esse desafio, combinaram capacitação técnica, preparação para certificações, aprendizagem prática, mentoria e desenvolvimento comportamental, «num currículo altamente estruturado ». Outro foi garantir que os participantes desenvolvessem conhecimentos técnicos e a mentalidade de consultoria necessária para trabalhar com clientes. «Este objectivo foi alcançado através de módulos dedicados à comunicação, inovação, liderança, resolução de problemas e presença profissional.»

Após mais de 200 horas de formação intensiva – formato que, para a responsável, «permitiu conjugar profundidade técnica, preparação para certificações e desenvolvimento de competências profissionais » –, os participantes obtiveram certificações internacionais SAP, alcançando «os melhores resultados de certificação registados até à data e foram integrados com sucesso nas equipas de consultoria da SAP».

Uma vez que «o sucesso em consultoria depende da capacidade de transformar tecnologia em valor de negócio», além de estruturado em torno das competências que as organizações mais procuram actualmente, como «tecnologias cloud, SAP Business AI, transformação de processos de negócio, arquitectura empresarial e consultoria digital», os participantes receberam «formação especializada em SAP S/4HANA, SAP Business AI, Joule Prompt Engineering, SAP Business Data Cloud, desenvolvimento Low-Code/No-Code e metodologias modernas de consultoria».

Continue a ler após a publicidade

Hande Genc realça ainda que foi dada especial ênfase a outras competências comportamentais como «comunicação e apresentação, liderança pessoal, agilidade e adaptabilidade, colaboração e trabalho em equipa, resolução de problemas, comunicação com clientes, confiança profissional e capacidade de influência».

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Junho (nº. 186) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

Partilhar


Mais Notícias