Catarina Azevedo, KPMG Portugal: Permitir às pessoas ser a melhor versão de si próprias

Só este ano, a KPMG Portugal já contratou perto de 500 pessoas. E continua com vagas em aberto. Atrair todo o talento de que necessitam tem sido um desafio, principalmente numa altura em que a marca se está a posicionar como um player na área de Tecnologia. Um dos seus trunfos passa por dar às pessoas a oportunidade de se tornarem a melhor versão de si próprias.

 

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

Catarina Azevedo assumiu a liderança da área de People & Culture na KPMG Portugal há ainda poucos meses, mas não hesita em identificar a fidelização e atracção de talento como prioridade, e a gestão da diversidade de perfis como um dos principais desafios. Partilha que foi o projecto – e quem está à frente dele – um dos motivos que a fez vir para a KPMG, e acredita que é precisamente isso que os diferencia num mercado cada vez mais concorrencial. Outro motivo foi o caminho de transformação que a empresa está a fazer, a multiplicidade de negócios e também o importante investimento que está a ser feito na área de People.

 

Estava no sector tecnológico quando aceitou o desafio de vir liderar a área de Pessoas e Cultura numa das “big four”, mas a Consultoria é um sector por onde já tinha passado. O que a motivou a vir para a KPMG?
Por um lado, a diversidade de negócios que tem e a transformação e o caminho que está a percorrer, exactamente para um posicionamento mais tecnológico. Por outro lado, a aposta nas pessoas. Há um desafio de transformação do lado do negócio, mas também há um desafio e um investimento importante que está a ser feito na área de People.

 

Assumiu funções em Junho. Nestes cerca de quatro meses, o que mais a impressionou na KPMG?
O que mais me impressionou, pela positiva, foi o ambiente de trabalho. É uma empresa que eu esperaria que fosse mais formal, mas não é, e tem um excelente ambiente de trabalho. As pessoas colaboram, trabalham em conjunto e apoiam- -se muito para chegar a um propósito comum. Não estava de facto à espera que houvesse um ambiente de trabalho tão descontraído e tão colaborativo.

 

O que lhe foi pedido quando lhe foi proposto este desafio?
No fundo, ajudar no processo de transformação que está a ser promovido e a alcançar o crescimento desejado, através da área de People, que se pretende que seja uma área que crie valor e impacto, e que traga a escala que a empresa quer atingir.

 

O que definiu como prioridades de actuação para concretizar esses objectivos?
Houve naturalmente um reforço da equipa, e portanto uma reorganização das áreas para nos tornarmos mais eficientes. Há mais pessoas na empresa, e naturalmente que aquilo que é prioritário nesta fase são todos os sistemas de retenção e atracção de talento. No imediato, é por onde temos de começar, garantir que conseguimos atrair o talento de que precisamos. Numa altura em que nos queremos posicionar, do ponto de vista de marca, como um player na área de Tecnologia, é ainda mais importante, pois é onde a escassez de pessoas mais se faz sentir.

 

Quantas pessoas integra actualmente a KPMG Portugal e quais os principais desafios na sua gestão?
Integra mais de 1400 pessoas. E o maior desafio tem a ver com a diversidade de perfis. Historicamente, a KPMG contratava sobretudo recém-licenciados, mas nos últimos anos, tem passado a contratar também pessoas com experiência. Há um crescimento de contratação – só este ano, já fizemos 450 contratações, e divide-se nestes dois perfis: recém-licenciados e pessoas mais seniores. E estamos a recrutar mais perfis tecnológicos.

Esta diversidade traz desafios, porque se pensarmos num ponto de vista de atracção, a forma como se aborda o mercado de auditoria é naturalmente diferente do mercado de tecnologia. E também quando as pessoas estão nas empresas, porque as carreiras, e as próprias necessidades de formação, são diferentes. A auditoria é altamente regulamentada e portanto tem de cumprir uma séria de pressupostos, já na tecnologia não é nada assim, em tax também não. Por outro lado, esta realidade faz com que tenhamos de ter planos mais específicos e ajustados a diferentes necessidades.

 

Para essas 450 contratações, sentiram dificuldade em encontrar candidatos?
Ainda têm vagas por preencher? Sim, ainda temos algumas vagas por preencher. E sim, é verdade que tivemos dificuldades em algumas áreas, sobretudo de tecnologia. Criámos, em Évora, um hub de tecnologia e fizemos uma série de parcerias e de protocolos com universidades, para termos um pouco mais de rede e de pipeline de candidatos para integrar a empresa. Mas também procuramos no mercado, em várias áreas.

 

E a questão do reskilling e do upskilling, tentar olhar para pessoas que, dentro “de casa”, já não têm funções tão críticas e aproveitá-las para outras para onde é mais difícil recrutar, é algo que façam?
Acho que vamos ter de caminhar para aí, até porque há perfis que sabemos que o mercado não tem capacidade de produzir para fazer face à procura.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Setembro (nº.141) da Human Resources, nas bancas.

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