Catarina Horta, directora de Capital Humano do Novo Banco, salienta que: « No final do dia, andamos à procura da fórmula para “profissionais mais felizes, colaboradores e empresas mais eficientes e produtivas”. Só pela procura, já vale a pena entrar na viagem. “Cabin crew prepare for landing”.»
«Para responder à pergunta sobre como vai ser o amanhã, que chegou agora, neste Outono em que as pessoas desconfinaram por decreto, convidei a equipa de direcção de Capital Humano do Novo Banco para desenvolver o tema. Por isso, este é um texto escrito a 18 mãos, incluindo as minhas.
O Novo Banco manteve sempre cerca de 20% dos colaboradores dos serviços centrais no escritório durante a pandemia, com os colaboradores em espelho e horários desfasados, mas ainda assim havia um grande número de pessoas que estava em teletrabalho há muitos meses. Numa primeira fase, aumentámos a presença no escritório para 50%, de forma gradual, e estamos agora a aumentar para um máximo de 70%, de modo a garantir o distanciamento social. Mantemos o modelo de trabalho híbrido e os horários desfasados, mas é inequívoco que o número de colaboradores no escritório aumentou e que a presença rotativa de todos é um acontecimento de nota. Importa perceber e captar as reacções neste grande regresso e acomodar os desafios que se colocam.
Muitas pessoas referem ter vontade de voltar às rotinas antigas, de socializar com colegas, tal como têm saudades de ouvir a frase “cabine crew prepare for landing”. Significa que voltaram a viajar de avião para um destino longínquo.
O regresso das equipas aconteceu naturalmente e foi recebido de forma diversa, como a natureza humana. Umas ficaram satisfeitas por poderem regressar e, num certo sentido, ansiavam pelo momento; outras simplesmente aceitaram o desafio, e já outras resistiram um pouco numa fase inicial, uma vez que estavam habituadas a trabalhar a partir de casa e preferiam não mudar esta rotina. Ou seja, há uma distribuição de comportamentos e atitudes ao longo do espectro, que confirmam a diversidade do homo sapiens. Todos diferentes, todos iguais.
Estranhamente, há uma corrente que refere que o regresso permite um maior equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional, porque apesar do tempo despendido no trânsito, que aumentou inequivocamente, conseguem estabelecer melhor o horário de início e de conclusão do trabalho. Destacam o impacto positivo do convívio social, mais intenso, frequente e espontâneo que o virtual, assim como as vantagens da proximidade física no trabalho colaborativo, sem as barreiras electrónicas – às vezes, as pequenas dúvidas que aguardavam pelo ponto situação ao fim do dia ficam agora esclarecidas em segundos.
Do lado negativo, destaca-se essencialmente o tempo “perdido” da deslocação entre casa e trabalho e o desconforto na utilização do transporte público, os custos com a deslocação em viatura própria e estacionamento. O fim da calma no escritório, no trânsito e o menor cuidado nas medidas de auto-protecção que as pessoas tendem a ter, completam esta visão menos positiva do regresso. Não há bela sem senão.
Onde há um grande consenso é na certeza de que o teletrabalho veio para ficar. Quebrado o preconceito inicial e ultrapassadas as dificuldades técnicas, o teletrabalho é entendido como um método de trabalho a usar em determinadas circunstâncias e com algumas regras.
O regime rotativo das presenças no escritório e a adopção de teletrabalho de modo intensivo incentiva a prática de reuniões, activações de equipa presenciais de forma regular, de modo a mitigar assimetrias no contacto entre os diferentes elementos e até a diminuição de acesso a oportunidades.
Esta panóplia de regimes e modelos de trabalho vem aumentar o desafio para os líderes e acarreta uma alteração de mentalidade muito significativa, porque liderar pessoas que podem escolher onde querem trabalhar, que horário preferem fazer e que tipo de presença física na empresa querem ter, não é fácil. As competências de liderança estão em modo de actualização.
Nem todas as funções permitem esta personalização e um trabalho permanentemente remoto, mas a questão que se coloca é se, ao tratarmos as pessoas como adultos, respeitando o seu equilíbrio trabalho e vida pessoal, não vamos ter mais engagement e eficácia na entrega.
No final do dia, andamos à procura da fórmula para “profissionais mais felizes, colaboradores e empresas mais eficientes e produtivas”. Só pela procura, já vale a pena entrar na viagem. “Cabin crew prepare for landing”.»
Este testemunho foi publicado na edição de Outubro (nº. 130) da Human Resources, no âmbito do tema de capa.














