Neste fim de férias de Verão, foi inevitável que, entre mergulhos e bolas de Berlim, a conversa fosse parar ao poder do recomeço. Vamos usar esse poder?
Por Catarina Tendeiro, senior director de Recursos Humanos da Hovione
Como muitos portugueses, regresso de férias de Verão com reforçada energia e novas ambições, após aproveitar as magníficas condições de Portugal para “fazer férias cá dentro”. Na sua maioria, todos queremos melhorar: ser mais produtivos, melhorar as relações no trabalho, colaborar mais, ser mais organizados e navegar melhor neste mundo de constante mudança e ambiguidade.
Regressar de férias com redobrada energia e novas ambições traz, assim, o desafio de pensar no papel estratégico dos directores de Pessoas, que lideram importantes projectos de desenvolvimento organizacional relevantes para as empresas em Portugal – precisam de assegurar a atracção e retenção de talento, e desenhar a organização certa para assegurar mais produtividade e um crescimento sustentável.
Vamos todos regressar com o propósito de usar este poder do recomeço para adoptar cada vez mais:
1. Estruturas mais horizontais, para promover agilidade e inovação
Por exemplo, as organizações matriciais, com uma estrutura de múltiplo reporte – tipicamente por negócio, região, área funcional ou especialidade –, permitem que as empresas aproveitem a diversidade de recursos e conhecimentos em diferentes funções e regiões, promovendo melhor comunicação, flexibilidade e agilidade, que inevitavelmente geram desafios e oportunidades para os colaboradores.
Os directores de Pessoas têm um papel crucial na promoção da colaboração nas organizações, alinhando estratégias organizacionais com objectivos de negócio, promovendo o trabalho em equipa, a comunicação aberta e o respeito mútuo – factores críticos para o sucesso empresarial, mas também para atrair e reter talento.
2. Automação e investimento em tecnologia, para tornar as funções mais ricas e de maior valor acrescentado
A utilização da tecnologia é vital para permitir uma colaboração entre diferentes fusos horários e geografias. Ferramentas e plataformas digitais, como software de gestão de projectos e aplicações de comunicação, desempenham um papel crucial na melhoria da comunicação e coordenação.
Por outro lado, as decisões são cada vez mais baseadas em métricas e dados, que têm um papel fundamental na definição da estratégia de negócio. Ao automatizarmos o acesso aos dados e proporcionar análises relevantes aos líderes, estamos a fornecer insights valiosos que orientam as iniciativas de Recursos Humanos e garantem o alinhamento com os objectivos de negócios.
3. Uma cultura de inovação, incentivando a experimentação e aceitando o erro como parte do processo de aprendizagem
A inovação é potenciada pela colaboração, e os líderes têm um impacto significativo ao criarem pontes entre equipas multifuncionais com perspectivas e conhecimentos diversos onde o talento pode florescer.
Nas empresas portuguesas, encontramos actualmente centros de inovação e equipas multifuncionais, que reúnem perspectivas e conhecimentos diversos, fomentando um ambiente onde as ideias criativas podem florescer. Temos de incentivar a aprendizagem contínua (que também inclui aprender com o erro), através da utilização de iniciativas como workshops e desafios de inovação – os resultados são infinitos.
4. O poder do recomeço, a magia dos regressos, tal como os livros em branco do regresso as aulas
Os directores de Pessoas são fundamentais para impulsionar a inovação colaborativa dentro das organizações. Ao alinharmos as estratégias de recursos humanos com os objectivos de negócios, fomentarmos uma cultura colaborativa, utilizarmos a tecnologia e tomarmos decisões baseadas em dados, podemos ajudar as empresas a navegar nas complexidades das estruturas matriciais e alcançar os seus objectivos de inovação. O compromisso com a aprendizagem contínua e a adaptabilidade garantirão que nos posicionamos como um parceiro estratégico na condução do sucesso empresarial, e este deverá continuar a ser o nosso propósito.
Numa nota mais pessoal, os dados comprovam que o regresso ao trabalho, pós-férias, resulta num aumento da produtividade – fazer uma pausa para voltarmos mais produtivos e passarmos, gradualmente, à rotina intencional.
Na perspectiva de “colocarmos primeiro a máscara de oxigénio antes de ajudar o passageiro do lado”, existem algumas boas práticas para uma boa imersão no dia-a-dia acelerado que o espera, e manter a magia do regresso durante mais tempo: dedicar algum tempo a planear a primeira semana de regresso ao trabalho, planear as suas tarefas e reuniões e, claro, aproveitar para se reconectar com os seus colegas de trabalho, partilhar as aventuras das férias de Verão e convidá-los a estrear as folhas deste livro em branco, neste regresso!
Este artigo foi publicado na edição de Setembro (nº. 165) da Human Resources.
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