CEO consideram que a IA é a inovação mais influente no local de trabalho moderno

A Inteligência Artificial (IA) foi considerada pelos CEO a nível global como a inovação mais influente no escritório, de acordo com o relatório “IWG: 300 Years of Office Innovation”, que assinala o 300.º aniversário do escritório moderno. A IA surge à frente de tecnologias como os computadores portáteis e as videochamadas, numa altura em que a tecnologia continua a transformar as dinâmicas de trabalho

Margarida Lopes
8 de Junho 2026 | 09:10

O relatório, desenvolvido pela International Workplace Group (IWG) para celebrar os 300 anos da abertura do primeiro escritório construído de raiz no mundo – o Old Admiralty Building, inaugurado em Londres em 1726 para apoiar a expansão da atividade naval britânica e da função pública – analisou a forma como os líderes empresariais avaliam a evolução do local de trabalho moderno.

Os resultados mostram que os CEO encaram a transformação tecnológica que os trabalhadores vivem atualmente como uma das mais significativas dos últimos 300 anos, comparável a marcos como o aparecimento da máquina de escrever, dos smartphones ou até da internet.

O top 5 é dominado por desenvolvimentos tecnológicos modernos que transformaram o mundo do trabalho ao longo da última década e que estão hoje presentes na rede global da IWG, com marcas como Spaces e Regus.

Top 5 das inovações mais importantes no escritório nos últimos 300 anos, segundo os CEO

1. Inteligência Artificial (36%)

Continue a ler após a publicidade

2. Portáteis e tablets (35%)

3. Videochamadas/videoconferência, como Teams e Zoom (31%)

4. Wi-Fi/Bluetooth (29%)

Continue a ler após a publicidade

5. Trabalho híbrido (26%)

 

O trabalho híbrido, escolhido por um quarto dos CEO (26%), destaca-se como uma das mudanças mais relevantes na forma como as pessoas trabalham, colaboram e se relacionam com o espaço físico de trabalho, acompanhando a evolução do hardware e do software.

Esta transformação é também visível em Portugal, onde o mercado de escritórios flexíveis tem vindo a ganhar expressão nos últimos anos. De acordo com a Savills, Lisboa e Porto concentram atualmente cerca de 150 mil metros quadrados e aproximadamente 20.000 postos de trabalho em espaços de coworking e flex offices, apoiados por um crescimento anual significativo desde 2018. Esta evolução reflete a forma como as empresas estão a adotar estratégias imobiliárias mais flexíveis, eficientes e orientadas para o acesso a talento.

Esta transformação já está integrada no dia-a-dia do trabalho. Em comparação com a última década, 35% dos CEO afirmam que a tecnologia tornou mais fácil trabalhar a partir de qualquer lugar, enquanto 30% dizem que as reuniões são agora mais virtuais do que presenciais.

Continue a ler após a publicidade

Em Portugal, a IA também começa a transformar as práticas de trabalho. Segundo a Randstad, 62,7% das empresas inquiridas já experimentaram a IA, sobretudo em áreas como análise e previsão de dados, otimização de tarefas administrativas, assistentes virtuais, marketing e apoio ao cliente.

A década de 2020 é considerada a mais transformadora até ao momento, impulsionada pela rápida adopção de modelos híbridos, IA, automação e práticas de trabalho flexíveis. Esta mudança representa um salto significativo face aos anos 1990, apontados como a segunda década com maior impacto, quando a internet, o e-mail e as primeiras tecnologias de computação começaram a conectar os locais de trabalho à escala global.

No mercado de trabalho português, a dimensão desta transformação torna-se também cada vez mais evidente. Um policy paper da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre automação e inteligência artificial em Portugal destaca que os modelos de linguagem, como o ChatGPT, deverão ter implicações generalizadas em várias profissões, com muitas funções a poderem beneficiar da complementaridade entre IA e trabalho humano, especialmente em ocupações que exigem competências cognitivas avançadas.[

No entanto, muitas das inovações dos anos 1990 são hoje pouco reconhecidas pelas gerações mais jovens. Quando questionados sobre se seriam capazes de descrever algumas destas tecnologias, apenas um em cada cinco (20%) afirmou conseguir fazê-lo relativamente às máquinas de fax e 16% em relação às disquetes, apesar de estas continuarem a estar associadas ao ícone universal de “guardar documento”.

Apesar deste distanciamento geracional, continua a existir alguma nostalgia. Mais de dois terços dos CEO (68%) afirmam sentir nostalgia por ferramentas e tecnologias de trabalho do passado. Tal como aconteceu com as máquinas de escrever ou a internet dial-up, nem todas as tecnologias modernas deverão resistir ao tempo. Entre as inovações que os CEO esperavam que transformassem a forma de trabalhar, mas que acabaram por ter menor impacto, estão os óculos inteligentes (41%), as passadeiras de secretária (39%) e os quadros interativos (35%).

Partilhar


Mais Notícias