Cerca de 30% destes profissionais tiveram sintomas de depressão (grave) em 2024

Human Resources com Lusa
13 de Janeiro 2025 | 10:40
Cerca de 30% destes profissionais tiveram sintomas de depressão (grave) em 2024

Cerca de 30% dos enfermeiros inquiridos numa avaliação sobre a percepção daqueles profissionais sobre saúde mental em 2024 relataram sintomas de depressão grave, segundo o estudo “NursesMH#Survey2024: A saúde mental dos enfermeiros portugueses”.

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No estudo no qual participaram 1894 enfermeiros, é verificado um aumento da percepção negativa sobre a saúde mental nos enfermeiros, face à primeira análise realizada em 2017, em que participaram 1264.

As conclusões indicam que 28,8% dos enfermeiros têm a percepção de sintomatologia de depressão grave, mais 6,4% do que os registados há sete anos.

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«Na comparação entre os estudos de 2017 e 2024, verifica-se que os enfermeiros passaram a ter uma maior carga de trabalho, a dormir pior quando trabalham por turnos e a consumir mais psicofármacos. Agravou-se também significativamente a percepção sobre a sua saúde física e mental em todas as dimensões estudadas: saúde mental em geral; disfunção social; ansiedade e insónia; sintomatologia somática; sintomatologia de depressão grave», lê-se num comunicado.

De acordo com o “NursesMH#Survey2024: A saúde mental dos enfermeiros portugueses”, quase três quartos (74,3%) dos enfermeiros «percepcionam negativamente a sua saúde mental», registando um aumento de 15,3% face aos dados anteriores.

Também é assinalado que 91,4% dos enfermeiros têm a percepção de disfunção social, 87,4% de ansiedade e insónia, 79,4% de sintomatologia somática, 17,3% consomem ansiolíticos, 17,7% consomem antidepressivos, 21,6% consomem indutores de sono/hipnóticos, 45% consideram sofrer de pelo menos uma doença (física ou mental), 61,2% nunca ou apenas ocasionalmente se sentem saudáveis fisicamente e 44,6% nunca ou apenas ocasionalmente se sentem saudáveis emocional ou psicologicamente.

Em relação às variáveis socioprofissionais e condições de trabalho, o estudo sinaliza que, dos enfermeiros que fazem turnos, 74,4% precisam de dormir mais ou muito mais entre turnos de noite seguidos, e 60,6% entre turnos de manhã seguidos, um aumento de 2% e 11,5%, respectivamente.

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O estudo sustenta que 40,1% dos enfermeiros tendem a sentir-se cansado mais cedo do que a maior parte das pessoas ao final do dia e 28,6% consideram ser do tipo de pessoa que adormece facilmente em qualquer lugar.

Mantiveram-se estáveis os resultados relativos ao sono diário, com metade a dormir até seis horas. Também 50% assinalaram ter um ou zero fins de semana livres por mês.

Os homens têm uma melhor saúde mental comparativamente às mulheres e é nos mais jovens que se encontram valores mais negativos de percepção da saúde mental.

«Particularmente preocupante é o resultado de ser nas mulheres em todas as idades e nos profissionais mais jovens que se encontram valores mais negativos de percepção da saúde mental», salienta, precisando que «as mulheres têm 80,4% mais probabilidade de ter uma percepção negativa da saúde mental».

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Os enfermeiros que exercem em contexto hospitalar têm maior percepção de disfunção social comparativamente com os enfermeiros que exercem em cuidados de saúde primários.

É referido também que uma formação especializada diminui em 29,8% a probabilidade de ter uma percepção negativa da saúde mental.

«À semelhança do estudo anterior, este estudo de 2024 demonstra ainda que ter hobbies, pertencer e participar na dinâmica de um agregado social e possuir formação especializada em enfermagem são factores protectores da saúde mental», acrescenta.

O estudo foi realizado durante 2024 por um grupo de investigadores do CIDNUR e acontece de cinco em cinco anos, intervalo interrompido pelos dois anos da pandemia de COVID-19, que «acentuou um vasto conjunto de stressores, com prejuízo acrescido para a saúde mental deste grupo profissional».

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