Cerca de 67 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos estão desempregados em todo o mundo, representando uma taxa de 12,4%, revela um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado este mês.
O documento evidencia uma deterioração do mercado laboral para as novas gerações, apontando que 257 milhões de jovens, o equivalente a 20%, não estão empregados, nem a estudar ou em formação, uma categoria designada pela sigla NEET (not in employment, education or training).
Estes números indicam um aumento de 0,1 pontos percentuais na taxa de desemprego jovem em comparação com 2023, ano em que a taxa atingiu um mínimo histórico, assim como um crescimento de 0,3 pontos percentuais na proporção de jovens NEET.
Os especialistas da OIT atribuem esta subida a factores como o crescimento económico estagnado e o impacto da inteligência artificial (IA) no emprego.
Impacto da desaceleração económica e da IA
Sukti Dasgupta, directora do Departamento de Emprego e Empresas Sustentáveis da OIT, explicou que no relatório anterior tinham apresentado “um retrato positivo dos jovens que beneficiavam da recuperação após a crise da Covid-19, mas a situação mudou num contexto de desaceleração económica e de tensões geopolíticas”.
A responsável alertou que o desemprego jovem aumentou apesar da taxa geral diminuir ligeiramente, o que significa que a probabilidade de um jovem estar desempregado é agora quatro vezes superior à de um adulto.
A OIT destaca ainda que a chegada da IA não beneficiou esta faixa etária, pois 6,1% dos empregos actualmente ocupados por jovens estão entre os mais expostos à utilização das novas ferramentas.
Dasgupta acrescentou que “há um declínio nos empregos de qualificação média, principalmente administrativos e de escritório, que são os que correm maior risco de serem substituídos pela IA, e estas ocupações tradicionalmente serviam como porta de entrada para os jovens”.
Se apenas 10% dos empregos expostos à IA desaparecessem por completo, “isto traduzir-se-ia em 5,6 milhões de jovens, principalmente em países de rendimento elevado, em risco de desemprego, mudança de emprego ou abandono total do mercado de trabalho”, alertou.
Diferenças regionais no desemprego jovem
Os efeitos da IA podem explicar, em parte, porque regiões desenvolvidas como a Europa Ocidental e a América do Norte registaram alguns dos maiores aumentos do desemprego jovem: 0,8 e 1,6 pontos percentuais, respectivamente.
No entanto, a maior subida verificou-se no Norte de África, com um aumento de 1,8 pontos percentuais, região que também apresenta uma das mais elevadas taxas de desemprego jovem do mundo, com 22,6%, apenas atrás dos Estados Árabes, com 26,2%.
A Europa Ocidental ocupa o terceiro lugar, com 15%, seguida pela Ásia Oriental (14,6%) e pela Ásia Meridional (14,3%), enquanto a América Latina e a América do Norte apresentam taxas abaixo da média global, com 11,9% e 9,8%, respectivamente.
O desemprego jovem mais baixo regista-se na África Subsariana, com 8,4%, mas a OIT alerta que, nesta e noutras regiões com economias em desenvolvimento, o desafio reside na criação de empregos decentes suficientes para absorver o crescimento da população jovem.
Nestes contextos, “muitos jovens não se podem dar ao luxo de permanecer desempregados e, em vez disso, aceitam trabalhos informais ou precários”, destaca a organização, que sublinha que quase nove em cada dez trabalhadores entre os 15 e os 29 anos estão na economia informal, o que limita o acesso a rendimentos estáveis e a protecção social.
Recomendações para combater a crise
“As tensões geopolíticas e as rápidas mudanças tecnológicas estão a empurrar os países para uma nova crise de emprego jovem”, conclui a OIT, que recomenda a implementação de medidas para promover o trabalho bem remunerado com protecção social, de modo a contrariar esta tendência.
O director-geral da OIT, Gilbert Houngbo, sublinhou que “criar empregos dignos para os jovens não é apenas um imperativo social, é um dos investimentos mais inteligentes que um país pode fazer”.



















