Cerca de 70 mil famílias portuguesas poderão vir a ter taxa de esforço superior a 50% do seu rendimento líquido. Quase duplicou em menos de dois anos

Human Resources com Lusa
5 de Setembro 2023 | 07:50

O governador do Banco de Portugal (BdP) defendeu o papel dos apoios públicos e da banca, aliado à poupança, para prevenir incumprimentos nos pagamentos dos empréstimos das famílias e recomendou a redução do peso da despesa do Estado.

 

Numa análise ao actual momento da economia, publicada pelo supervisor bancário, o governador, Mário Centeno, alerta que no final deste ano, «cerca de 70 mil famílias poderão vir a ter despesas com o serviço do crédito à habitação permanente superiores a 50% do seu rendimento líquido», recordando que «no final 2021, já eram 36 mil famílias».

«O reforço da poupança e a redução do endividamento, bem como os apoios públicos e o papel do setor bancário na prevenção do incumprimento podem mitigar estes riscos», aponta.

A cerca de um mês da entrega do Orçamento do Estado para 2024 (OE2024), na publicação intitulada «encruzilhada de políticas», o antigo ministro das Finanças considera que «a política orçamental deve continuar a orientar-se pela noção de que não se alterou aquilo que há cinco anos não era financiável».

Continue a ler após a publicidade

Numa altura em que a revisão das regras orçamentais de Bruxelas está em discussão, mas a proposta da Comissão Europeia dá mais peso à evolução da despesa primária, Mário Centeno recorda que «o peso da despesa permanente na economia continua acima de 2019», defendendo que «deve reduzir-se para garantir a sustentabilidade ao longo do ciclo económico».

Depois de traçar um retrato positivo da evolução do país desde 2015, Mário Centeno argumenta que «a conclusão da recuperação da crise pandémica, o arrefecimento da inflação e a necessidade de encontrar as fontes de crescimento nos factores estruturais fazem de 2023 um ano charneira».

Partilhar


Mais Notícias