China elimina mais de 12 mil cursos universitários para alinhar formação com as necessidades do mercado

A China está a levar a cabo uma profunda transformação do seu sistema de ensino superior.

Human Resources
8 de Setembro 2026 | 07:50
China elimina mais de 12 mil cursos universitários para alinhar formação com as necessidades do mercado

Entre 2021 e 2025, as universidades chinesas eliminaram ou suspenderam cerca de 12.200 cursos de licenciatura e lançaram mais de 10.000 novos programas académicos, numa reorganização que já afectou mais de 30% da oferta universitária do país, reporta a Mundo Global.

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Longe de representar apenas um corte na oferta educativa, a medida procura aproximar a formação superior das necessidades actuais da economia, reforçando áreas ligadas à tecnologia, inovação e indústria avançada, enquanto reduz o peso de cursos considerados menos alinhados com as prioridades estratégicas do país.

IA acelera mudança nas competências procuradas

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A inteligência artificial surge como um dos principais motores desta reforma. As autoridades chinesas partem do princípio de que a tecnologia está a alterar profundamente a forma como as organizações produzem, comunicam, analisam informação e desenvolvem novos produtos e serviços.

Perante esta realidade, várias instituições de ensino estão a substituir programas tradicionais por formações que combinam conhecimento técnico e competências digitais. Áreas como ciência de dados, robótica, fabrico inteligente, governação digital, biometria, neutralidade carbónica e inteligência artificial aplicada têm vindo a ganhar protagonismo.

Entre as novas especializações destacam-se também programas dedicados à chamada “inteligência incorporada”, que combinam inteligência artificial e robótica para desenvolver aplicações no mundo físico.

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Emprego jovem está no centro da estratégia

Mas a reforma não se explica apenas pelo avanço da tecnologia. Outro dos factores que está a impulsionar esta reconfiguração é a crescente dificuldade de inserção profissional dos jovens licenciados.

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Nas últimas décadas, a China aumentou significativamente o número de diplomados do ensino superior. Porém, esse crescimento nem sempre foi acompanhado pela evolução da procura de determinados perfis profissionais. O resultado tem sido um desfasamento entre a formação oferecida pelas universidades e as competências requisitadas pelas empresas.

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Enquanto muitos licenciados procuram carreiras urbanas, administrativas ou de escritório, vários sectores continuam a reportar escassez de técnicos especializados, profissionais da indústria, especialistas em automação e trabalhadores qualificados para áreas emergentes. A reforma pretende responder precisamente a este desequilíbrio.

Artes e humanidades não desaparecem, mas transformam-se

Uma parte significativa dos cursos revistos pertence às áreas das artes, humanidades, línguas estrangeiras e gestão tradicional. No entanto, segundo a análise apresentada, a estratégia não passa necessariamente por eliminar estas disciplinas, mas antes por reformular os seus conteúdos e modelos de ensino.

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Em alguns casos, os cursos deixam apenas de admitir novos estudantes por determinados períodos. Noutros, são integrados em programas multidisciplinares com uma componente tecnológica mais forte, procurando criar percursos formativos mais ajustados às exigências do mercado de trabalho contemporâneo.

A reorganização do ensino superior integra uma estratégia nacional mais ampla, centrada em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento económico do país, como a manufactura avançada, os veículos inteligentes, a transição energética, a digitalização e as novas infra-estruturas tecnológicas.

Ainda assim, alguns especialistas alertam que a rápida substituição de programas pode criar novos desafios, sobretudo quando determinados cursos são encerrados antes de terem tempo para demonstrar o seu valor ou maturidade.

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