Três em cada quatro trabalhadores na União Europeia depararam-se com mensagens de correio electrónico, mensagens ou ligações suspeitas no local de trabalho, segundo o inquérito “Cybersecurity at the workplace: awareness and preparedness among employees”, do Eurobarómetro divulgado pela Comissão Europeia no início do Mês Europeu da Cibersegurança.
O phishing foi identificado como a ameaça cibernética mais comum, com 39% dos profissionais a reportar mensagens fraudulentas ou sítios Web destinados a roubar dados ou obter acesso não autorizado. Outros riscos mencionados incluem tentativas de roubo de dados pessoais (18%), senhas (16%), ataques de malware (17%) e fraudes geradas por inteligência artificial (IA) (15%).
Apesar de 83% dos trabalhadores considerarem as consequências dos ataques cibernéticos graves, apenas 48% afirmaram ser capazes de reconhecer vídeos falsos gerados por IA. No total, só 18% declararam que as suas organizações não sofreram qualquer incidente cibernético, até onde sabem.
A consciência não se reflecte na prática diária
Os trabalhadores reconhecem amplamente comportamentos de risco, sobretudo relativos ao phishing e à gestão de senhas. Entre os que utilizam sistemas digitais no trabalho, 76% consideram arriscado clicar numa ligação sem verificar o remetente, 74% apontam o perigo de usar a mesma palavra-passe para contas privadas e profissionais, e 69% referem o risco de partilhar informações profissionais nas redes sociais. A maioria sabe também da importância de denunciar emails suspeitos e instalar actualizações de software.
No entanto, esta consciência não se traduz sempre em hábitos seguros. Enquanto 72% dizem conseguir identificar emails suspeitos, apenas 54% verificam o remetente antes de abrir ligações e 50% bloqueiam sempre o computador ao deixar a estação de trabalho.
Os hábitos básicos de ciber-higiene são comuns mas inconsistentes, variando com a idade dos trabalhadores. A sensibilização para os riscos aumenta com a idade, destacando a necessidade de formação específica para os mais jovens, especialmente aqueles entre os 15 e os 24 anos.
Formação e preparação insuficientes nas organizações
Embora a maioria dos trabalhadores considere que as suas organizações são eficazes na protecção contra ciberataques, apenas cerca de metade dispõe de medidas essenciais de cibersegurança, e pouco mais de um quarto tem planos para as implementar.
Seis em cada dez trabalhadores afirmaram ter recebido formação em cibersegurança no último ano, embora esta participação seja significativamente menor em organizações de menor dimensão. Ao mesmo tempo, 85% manifestaram interesse em melhorar as suas competências nesta área, sendo a falta de tempo a principal barreira para 26%.
Estes dados surgem num contexto em que a União Europeia está a aplicar regras de cibersegurança em sectores críticos, produtos conectados e serviços digitais, reforçando a protecção contra ameaças crescentes.


















