Cidade ou campo? Saiba o que preferem os portugueses (e porquê)

Human Resources com Lusa
20 de Dezembro 2025 | 16:00

O trabalho remoto e a procura por tranquilidade e bem-estar estão a impulsionar mudanças significativas no estilo de vida. Segundo um estudo do Vodafone Institute for Society and Communications, deixar a cidade para se reconectar com a natureza tornou-se um desejo partilhado por 56% dos europeus, um valor consistente entre os 15 países analisados.

 

Além disso, em Portugal, 48% dos residentes urbanos consideram que as vantagens da vida rural superam as da cidade, destacando a ligação à natureza, 53% afirmam ter alterado a sua perceção sobre a vida no campo e outros 53% dizem beneficiar do teletrabalho, factor que facilita a ponderação de uma mudança para zonas rurais.

Este cenário acompanha a tendência europeia: entre os habitantes das grandes cidades, 45% afirmam que a pandemia mudou a sua visão sobre a vida rural, enquanto 69% apontam a proximidade e a conexão com a natureza como a principal vantagem da vida no campo.

Perante este novo contexto, estão a surgir projectos que visam não só aliviar o stress, mas também repensar a relação entre o trabalho, a saúde e o planeta. A Traditional Dream Factory (TDF), a primeira aldeia regenerativa tokenizada da Europa, é um espaço onde a tecnologia está ao serviço da natureza e da comunidade. Aqui, a solução para o esgotamento laboral e a vida acelerada das cidades não passa por desligar, mas sim por reconectar-se – consigo mesmo, com os outros e com a terra. Cada horta cultivada, cada sistema de compostagem e cada construção sustentável fazem parte de um objectivo maior: regenerar solos, restaurar ecossistemas e demonstrar que outra forma de viver e produzir é possível.

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Emily, uma arquitecta londrina, sintetiza: «Londres oferecia-me oportunidades, mas não tempo. O meu corpo precisava de uma pausa.» Após anos a lutar contra uma doença crónica, decidiu fazer uma pausa e chegou à TDF em busca de recuperação. «Aqui aprendi a ouvir o meu corpo e a caminhar sem pressa. Todos os dias me lembro que a saúde começa com a reconexão consigo mesma enquanto vejo como a terra se regenera.»

Esse mesmo desejo de reconexão levou Kinga, ex-gestora de produto em Berlim, a trocar o escritório pela horta. «Sempre sonhei com uma vida ligada à terra. Hoje trabalho à chuva, preparo composto e cuido de galinhas. É difícil, mas é real.» O que começou como duas semanas de voluntariado transformou-se em sete meses de aprendizagem: «É um desconforto temporário por uma vida pacífica e hedonista», afirma, descrevendo a satisfação de poder cultivar os seus próprios alimentos e contribuir para restaurar solos degradados.

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