“Co-piloto de carreira”, a nova tendência da Geração Z que está a mudar o mercado de trabalho

Muitos elementos da Geração Z estão a lidar com a pressão de um mercado de trabalho incerto e volátil com um novo sistema de apoio: os progenitores.

Um novo relatório da plataforma de currículos Zety destaca o papel crescente do “co-piloto de carreira”, no qual os pais estão a adoptar uma abordagem prática para ajudar a Geração Z a iniciar as suas carreiras e a gerir as complexidades do actual mercado de trabalho, reporta a Forbes.

Se antes se apelidavam de “pais helicóptero” aqueles que pairavam sobre os filhos adultos, fazendo aquelas tarefas que o filho conseguia fazer sozinho, como cozinhar por exemplo, resolvendo problemas ou supervisionando todos os aspectos da sua vida, agora, este padrão está em alta no local de trabalho sob um nome diferente: “co-piloto de carreira”.

Cunhado por Jasmine Escalera, especialista em carreiras da Zety, aplica-se quando os pais intervêm para ajudar os seus filhos da Geração Z a ganhar confiança, direcção e controlo ao entrarem no mundo do trabalho.

O “Career Co-Piloting Report” da Zety mostra que a procura de emprego tem agora um convidado-extra: a mãe ou o pai. Os pais estão a assumir um papel activo no início da carreira dos seus filhos.

Um total de 67% dos trabalhadores da Geração Z admitem receber conselhos de carreira dos pais regularmente e, para muitos, este apoio vai bem além disso, com ajuda activa na elaboração de currículos, no contacto com os empregadores, na preparação para entrevistas e até na negociação de ofertas de emprego.

O apoio na elaboração do currículo é comum: 44% dos trabalhadores da Geração Z afirmam que os seus pais ajudaram a escrever ou editar os seus CV.

Na interacção directa com os empregadores: um em cada cinco afirma que um dos pais contactou um potencial empregador ou recrutador em seu nome.

O envolvimento dos pais estende-se às entrevistas: 20% admite que um dos pais participou numa entrevista de emprego — 15% presencialmente e 5% virtualmente. A ajuda na negociação é geralmente consultiva, mas por vezes directa: 28% refere que os pais ajudam nas negociações de salário ou benefícios — 18% ofereceu conselhos; 10% negociou directamente com a entidade empregadora. 56% recebe visitas dos pais no local de trabalho fora de eventos formais.

No campeonato da influência, 32% refere os pais como a principal influência nas decisões de carreira, outros 32% aponta para os gestores e 34% diz que ambos têm influência igual.

A tendência pode proporcionar aos jovens profissionais confiança, acesso ao conhecimento institucional e apoio emocional num mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

«Ter um dos pais como conselheiro ou orientador estratégico pode ajudar os jovens a compreender melhor a remuneração, a evitar erros comuns no início da carreira e a defender os seus interesses de forma mais eficaz», destaca Jasmine Escalera. «Quando feito adequadamente, pode acelerar o crescimento profissional em vez de o prejudicar.»

Mas acrescenta que o risco de envolvimento excessivo pode ser uma desvantagem. «Quando os pais contactam directamente os empregadores ou participam nas entrevistas, isso pode prejudicar a percepção de independência, profissionalismo e preparação do candidato», explica. «Os empregadores avaliam o discernimento e a autonomia tanto quanto a competência. Se um dos pais se tornar o intermediário, isso pode sinalizar que o candidato não está preparado para lidar com a dinâmica do ambiente de trabalho sozinho. A longo prazo, isto pode afectar a construção da autoconfiança e as competências essenciais para a tomada de decisões de carreira.»

Para que os co-pilotos de carreira mudem os seus hábitos, devem passar da intervenção para o empoderamento, no qual dão apoio nos bastidores. «O acompanhamento, as simulações de entrevistas e a orientação em negociações são construtivos», conclui Jasmine Escalera.

«O contacto directo com o empregador ou a participação em processos formais de contratação ultrapassam um limite. O objectivo deve ser o de equipar os trabalhadores da Geração Z com as ferramentas e a linguagem necessárias para defenderem os seus próprios interesses, e não para defenderem os interesses dos outros.»

Ler Mais