Num dos momentos de maior intensidade para o comércio, com a Black Friday a marcar o arranque da época natalícia, a Randstad Research divulga uma radiografia ao mercado de trabalho no sector do comércio a retalho em Portugal.
A actividade de comércio a retalho integra o sector do Comércio e Reparação de Veículos, um dos maiores empregadores do país, responsável por 14,8% do emprego total em Portugal em 2024, o que corresponde a 767,2 mil pessoas.
O sector do Comércio e Reparação de Veículos, definido na Secção G da CAE Rev. 3, integra três grandes áreas: o comércio e reparação de veículos automóveis e motociclos (divisão 45), o comércio por grosso (divisão 46) e o comércio a retalho (divisão 47). Esta última, dedicada à venda directa ao consumidor final, é a que mais emprego gera, representando 62,4% do total do sector e afirmando-se como o seu principal motor.
De acordo com os dados da Eurostat, no segundo trimestre de 2025, o número de profissionais no retalho alcançou 479,8 mil, reflectindo uma variação trimestral positiva de 0,4% e confirmando a tendência de crescimento observada nos últimos anos.
O comércio a retalho foi uma das áreas mais afectadas pela pandemia, com uma quebra de 6,8% no emprego em 2020. No entanto, o sector demonstrou uma recuperação notável a partir de 2021, consolidando-se como um dos motores do emprego em Portugal.
Em 2023, o sector era composto por 123.900 empresas, responsáveis por quase 480 mil postos de trabalho. As actividades de retalho de outros produtos e de estabelecimentos não especializados (hipermercados, supermercados, e grandes armazéns) lideram o mercado, sendo esta última também a maior empregadora, com 161,6 mil trabalhadores.
O estudo revela ainda que o sector apresenta uma forte presença feminina: 60,5% dos profissionais são mulheres. Em termos de qualificações, o retalho é dominado por profissionais qualificados e semiqualificados, que representam 67,3% do total de empregados, enquanto apenas 5,1% correspondem a funções não qualificadas.
No que toca à dinâmica do emprego, o comércio a retalho regista uma forte sazonalidade, com picos de emprego nos meses de inverno e mínimos no verão, acompanhando os ciclos de consumo.
Para Pedro Empis, director de Soluções de Talento Operacional da Randstad Portugal, «a actividade de comércio a retalho tem demonstrado uma capacidade de resiliência excepcional ao longo dos últimos anos. Depois de ter sido um dos sectores mais penalizados pela pandemia, o retalho conseguiu recuperar o seu dinamismo e voltar a afirmar-se como um dos grandes motores do emprego em Portugal. Hoje, emprega quase meio milhão de pessoas, sustentado por uma base maioritariamente feminina e composta por profissionais cada vez mais qualificados, o que reflecte não apenas a importância social do sector, mas também a sua evolução estrutural.»
Segundo os dados do INE, o sector desempenha um papel essencial na distribuição de bens, dinamização do consumo interno e suporte a outras indústrias, sendo um pilar estruturante da economia portuguesa. A valorização salarial contínua também é um sinal de maturidade: desde Junho de 2015, o salário médio mensal passou de 1028 euros para 1539 euros em Junho de 2025, reflectindo um crescimento de 50% em dez anos.
A Black Friday é hoje um dos momentos de maior dinamismo do comércio a retalho, contribuindo para impulsionar as vendas e o emprego sazonal. A forte concentração de consumo e campanhas promocionais nesta altura do ano reflecte-se também no aumento da procura por profissionais e no reforço da relevância do sector no mercado de trabalho português.
De acordo com dados da Randstad Portugal, a procura de talento para o retalho é superior durante a peak season, que inclui a Black Friday, o Natal e o período de devoluções e promoções. Este ano a procura por profissionais de todos os sectores aumentou, em particular no retalho, indústria alimentar e logística, com crescimentos que variam entre os 10% e os 30% face a 2024.














