Comissão Europeia espera acordo entre países sobre salários mínimos até Junho

Human Resources com Lusa
28 de Abril 2021 | 12:00

O comissário europeu do Emprego, Nicolas Schmit, espera uma posição comum dos Estados-membros da União Europeia (UE) sobre a definição de salários mínimos europeus ainda durante a presidência portuguesa do Conselho, até Junho, destacando “os esforços” de Portugal.

 

«Tenho os meus desejos e isso implicaria chegar a um acordo sobre uma posição comum no Conselho […] o mais rapidamente possível, mas seria bom se pudesse ser durante a presidência portuguesa», afirma Nicolas Schmit em entrevista à agência Lusa, em Bruxelas.

Ressalvando não querer «especular sobre quando poderá haver uma posição comum» entre os países, o comissário europeu da tutela destaca que «a presidência portuguesa está a fazer muitos esforços neste domínio».

«Não quero interferir nas discussões ao nível do Conselho, pelo que veremos», assinala Nicolas Schmit.

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Numa alusão ao objectivo da presidência portuguesa da UE de conseguir este semestre um texto de compromisso no Conselho sobre a nova directiva dos salários mínimos europeus, o responsável indica que «o processo está a avançar».

«Temos um relatório sobre os salários mínimos ou, pelo menos, uma minuta de relatório, e temos discussões ao nível do Conselho e, especialmente, no grupo de trabalho do Conselho», precisa.

Já quando questionado se algum tipo de compromisso poderia ser alcançado durante a Cimeira Social do Porto, marcada para 7 de Maio, o comissário europeu do Emprego e Direitos Sociais rejeita que nessa ocasião seja alcançada «uma solução sobre os salários mínimos ou outras questões que estão em discussão», falando antes num «sinal político» dado à área social.

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A definição de um salário mínimo europeu justo e digno é um dos elementos da negociação do plano de ação para implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, que Portugal quer ver aprovado durante a sua presidência da UE, apesar das divergências entre os 27.

O Pilar Social é um texto não vinculativo para promover estes direitos na Europa e no qual, além de outras questões, é feita uma referência à remuneração, defendendo que «os trabalhadores têm direito a um salário justo que lhes garanta um nível de vida decente».

Em Outubro passado, a Comissão Europeia apresentou uma proposta legislativa sobre os salários mínimos europeus, mas admitiu dificuldades nas negociações no Conselho.

Por essa razão, a instituição assegurou não querer impor valores aos países, mas antes indicadores para garantir uma qualidade de vida decente aos trabalhadores.

Os tratados reconhecem a competência de cada Estado-membro na fixação de salários, mas a Comissão recorreu a uma interpretação flexível que integra o salário nas condições de trabalho.

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Actualmente, 21 Estados-membros têm um salário mínimo definido por lei, enquanto nos restantes seis – Áustria, Chipre, Dinamarca, Finlândia, Itália e Suécia – tal só existe através de negociação colectiva.

São sobretudo estes seis países que se opõem ao conceito, mas contra a proposta estão também associações patronais, que argumentam que a diretiva pode vir a pôr em causa a viabilidade das empresas europeias, já fortemente afetadas pela crise COVID-19.

Bruxelas já afastou completamente a ideia de um salário mínimo igual em todos os 27.

Dados divulgados pelo Eurostat revelam que, no início deste ano, o salário mínimo bruto na UE variava entre os 332 euros na Bulgária e os 2.202 euros no Luxemburgo, com Portugal em 10.º lugar (776 euros).

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