Comissão Europeia mais optimista do que FMI: prevê desemprego de 9,7% em Portugal

Margarida Lopes
6 de Maio 2020 | 11:11

A Comissão Europeia prevê para Portugal, em 2020, uma recessão de 6,8% e que a taxa de desemprego suba para os 9,7% devido ao impacto da COVID-19, avança a Lusa.

 

Estas previsões são mais optimistas do que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), que previu uma quebra económica de 8,0% e desemprego de 13,9% este ano.

Para 2021, a Comissão Europeia estima uma recuperação da economia portuguesa de 5,8%, bem como uma diminuição da taxa de desemprego dos 9,7% para os 7,4%.

De acordo com as Previsões Económicas da Primavera divulgadas, hoje, dia 6 de Maio, a exposição de Portugal ao sector do turismo aumenta os riscos, apesar de ser esperada uma recuperação forte da economia portuguesa como um todo em 2021.

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«As exportações devem decrescer relativamente mais, à luz das receitas consideráveis que Portugal tipicamente ganha através dos turistas estrangeiros (cerca de 8,7% do PIB em 2019), e das medidas de distanciamento social a afectar os serviços na segunda metade de 2020», pode ler-se no documento da Comissão Europeia.

A Comissão Europeia assinala ainda que tanto as exportações como as importações devem registar quebras de dois dígitos em 2020 (-14,1% e -10,3%, respectivamente), recuperando no ano seguinte (13,2% e 10,3%, respectivamente).

O sector do turismo deverá afectar também os níveis de desemprego, apesar de «provavelmente muitos dos despedimentos serem temporários», assinala a Comissão.

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«A esperada lenta recuperação do turismo e de serviços relacionados terá provavelmente um impacto negativo na procura de emprego durante um período longo», refere o executivo liderado por Ursula von der Leyen, que prevê ainda que os salários «sejam afectados pelo número reduzido de horas de trabalho» durante 2020, afectando a produtividade.

É também esperado por Bruxelas que a procura doméstica “contraia substancialmente em 2020”, com o consumo privado a decrescer “a um ritmo ligeiramente mais baixo do que o PIB [-5,8%]”, devido ao impacto das medidas governamentais nas famílias.

«O investimento em equipamentos deve ser o mais atingido devido à incerteza e às disrupções nas cadeias de oferta mundiais. Ao mesmo tempo, o investimento em construção deve ser mais resiliente, beneficiando do ciclo e da nova flexibilidade introduzida nos fundos da União Europeia»,destaca a a Comissão Europeia.

Já a balança comercial portuguesa, em termos nominais, «deve beneficiar da descida dos preços do petróleo, mantendo a conta corrente geral com um défice relativamente pequeno», que Bruxelas prevê que seja de 0,6% em 2020 e 0,2% em 2021.

Quanto à inflação, deve permanecer baixa, devido à “contribuição negativa dos preços da energia” que deve ser “ainda mais pronunciada” em 2020 do que em 2019 (em que a inflação foi de 0,3%).

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«Ao mesmo tempo, as medidas de contenção do Governo e os limites subsequentes para a oferta de capacidade de trabalho e produção pode gerar pressões inflacionarias em certos bens, como comida e produtos de saúde», alerta a Comissão.

Ainda assim, «as pressões negativas devem prevalecer, e a inflação deve ser ligeiramente negativa em 2020 [-0,2%]», recuperando em 2021 para 1,2%.

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