A Inteligência Artificial (IA) está a alterar a forma como o sector de fintech compete. Segundo o relatório, as fintechs que conseguem aplicar esta tecnologia de forma eficaz estão a alcançar ganhos de produtividade de desenvolvimento até cinco vezes superiores, com impacto mais evidente em áreas como engenharia, avaliação de risco, compliance e apoio ao cliente.
Mais do que a adopção de ferramentas, o verdadeiro diferencial está na capacidade de redesenhar fluxos de trabalho e modelos operacionais para gerar ganhos concretos de eficiência, escala e desempenho.
Entre as mudanças mais relevantes identificadas no relatório está o estreitamento progressivo da diferença regulatória entre bancos e fintechs. Nos Esatdos Unidos, no Reino Unido e na União Europeia (UE), os processos de licenciamento e de obtenção de estatuto bancário estão a tornar-se mais acessíveis, ainda que acompanhados por exigências em matéria de governação, risco, compliance e supervisão.
No último ano, várias fintechs de grande escala avançaram com pedidos de licenças bancárias federais nos Estados Unidos, procurando reduzir custos de financiamento, ganhar maior controlo sobre a oferta de produtos e reforçar a relação direta com o cliente. O estudo sublinha, aliás, que o número de pedidos de licenças bancárias federais e de novas instituições de depósito aumentou mais de cinco vezes entre 2024 e 2025, sinalizando uma aproximação crescente das fintechs ao perímetro regulatório tradicional.
O relatório destaca ainda a evolução dos neobancos como uma das dinâmicas mais estruturantes da próxima fase do sector. Os principais operadores estão a alargar a sua proposta de valor para áreas como crédito, investimento, seguros, transferências internacionais e soluções de poupança para clientes com maior capacidade financeira – passando de modelos assentes num único produto para plataformas financeiras mais completas, com maior capacidade para aprofundar a relação com o cliente. O crédito ao consumo surge, em particular, como uma das frentes de expansão mais relevantes, com destaque para o crédito sem garantia e para modelos alternativos de avaliação de risco.
Esta evolução não deverá ser homogénea entre geografias. Na Europa, o contexto regulatório mais exigente e a presença de incumbentes com forte enraizamento tende a favorecer estratégias de parceria e complementaridade, em vez de disrupção directa. Portugal, inserido neste quadro europeu e com um ecossistema fintech em crescimento, acompanha estas tendências globais num contexto de digitalização acelerada dos serviços financeiros.
No conjunto, o estudo conclui que o sector fintech vive hoje um momento estruturalmente distinto. O crescimento regressou, mas num contexto mais exigente, em que a vantagem competitiva depende cada vez mais da capacidade de combinar escala rentável, prontidão regulatória, execução consistente e adoção disciplinada das novas tecnologias.














