Como a pandemia veio alterar o nosso relacionamento com a cidade onde vivemos

ROCK IN RIO INNOVATION WEEK

«A COVID-19 fez questionar a vida mecânica – repetitiva, engarrafada e desnecessária – que vínhamos vivendo. É preciso repensar as cidades, com foco nas pessoas.»

Por Mic Aisenberg, curadora de conteúdo do Rock in Rio Innovation Week

 

Já vivi nas maiores cidades do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília. E, principalmente depois de ter filhos, fui criando o hábito de observar o que elas me ofereciam – além do que eu dava em troca – eram o que eu desejava para seguir com meu estilo de vida.

A resposta, no final das contas, foi não. Tanto que cá estou eu, em Lisboa, retornando à terra do meu pai, em busca do que, na minha opinião, uma cidade precisa oferecer: equilíbrio. Entre trabalho, estudo e lazer. Fonte de turismo, comércio, cultura e tantos outros aspectos das nossas vidas, considerando o nosso bem-estar, a sua saúde física, mental e emocional.

Tudo isso sem esquecer da garantia da praticidade na rotina de seus habitantes, com mobilidade e sustentabilidade. Simples, não é?

Estou certa de que não existe lugar perfeito e que sempre é possível melhorar. E acho que diante de todas as mudanças causadas pela pandemia, muito mais pessoas vão começar a fazer essa mesma pergunta.

 

Qual sua relação com a cidade onde vive?

Agora que, aos poucos, estamos a voltar às ruas e a retomar algum tipo de relacionamento com a nossa cidade, comecei a pensar o que mudou entre nós. Será que nossa relação era sólida e com base suficiente para não ficar estremecida?

Terá a distância nos dado mais tempo para pensarmos o que significamos uma para a outra e se estamos em uma relação saudável, sustentável, em que todos crescem e se desenvolvem?

A actual pandemia colocou em evidência mudanças ambientais que pensávamos ser impossíveis de acontecer neste século. Fez repensar a vida mecânica – repetitiva, engarrafada e desnecessária – que vínhamos vivendo, sem ao menos questionar.

 

Cidades emergentes, um estudo

As perguntas são tão reais que a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) está a apoiar um estudo internacional – intitulado Cidades Emergentes – que pretende aferir o impacto do isolamento social, no contexto da pandemia do novo coronavírus, no nosso modo de olhar para as cidades e para a habitação.

Os aspectos analisados são as características da habitação, o espaço para o teletrabalho, a relação da habitação com o exterior, a relação com vizinhos, as qualidades do espaço público, o funcionamento da cidade e o controle social.

O objectivo passa por sistematizar informação sobre atitudes e percepções sobre o momento presente e o futuro, para apoiar o desenvolvimento de políticas públicas relacionadas com as cidades e a habitação.

 

A saída é se adaptar

«As cidades e as pessoas precisam reinventar-se, numa fusão multirracial e multicultural», disse Gilda Pereira, co-fundadora da Ei! Assessoria Migratória, durante o 5º Meetup do Rock in Rio Innovation Week “Repensar as cidades com foco nas pessoas” que aconteceu na última quinta-feira.

A Ei! Assessoria Migratória é nossa parceira e patrocinadora e enriquece o evento com uma importante visão da riqueza que a diversidade cultural, fusão racial, de gênero e diferentes pontos de vista trazem para o mundo.

«Lisboa pode transformar-se num grande hub de aprendizagem, implementação e execução, com a participação de pessoas de todo o mundo.  Portugal é considerado um dos melhores países no que concerne ao acolhimento e adaptação de imigrantes», acrescenta a executiva.

 

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Qual a sua visão sobre a cidade em que vive e como ela precisa mudar para se adaptar às mudanças e ao futuro?

Gostou da reflexão? Podemos continuar esta conversa e muitas outras sobre o futuro e as novas formas de pensar, agir e viver durante os dias 12 e 15 de Outubro no Rock in Rio Innovation Week.

 

 

 

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