Como é que os novos espaços de trabalho são importantes para o employer branding?

É inevitável quando falamos de tendências e do próximo ano 2021, que não se refira a crise pandémica que estamos a viver actualmente. O seu impacto está a ser de tal forma relevante em termos “força” que o seu alcance é reconhecidamente alargado a todos os espetros da nossa vida. Incluindo o trabalho.

Por Sofia Vinagre, Head of Marketing JLL

 

No decorrer de 2020, as empresas foram “empurradas” para uma aceleração dos processos de digitalização e tiveram a necessidade de melhorar a comunicação interna. Como se diz, “a necessidade aguça o engenho” e foi de um dia para o outro que os departamentos de Recursos Humanos e de Marketing/Comunicação tiveram de unir esforços no sentido de manter a comunidade distante ligada entre si. Essa conexão foi fundamental para ajudar os colaboradores a navegarem por águas mais agitadas, mas ao mesmo tempo manterem um sentido de pertença a um grupo/empresa, mesmo estando fisicamente afastados por um longo período de tempo, nunca antes testado. Mesmo empresas mais progressistas, nas quais o trabalho remoto já era uma realidade, sentiram a necessidade urgente de fazer chegar aos seus funcionários as mensagens relevantes e de manter um canal de comunicação aberto com todos.

Esta ligação construiu-se e fortaleceu-se em alguns casos, nas empresas que perceberam que num clima de grande incerteza o mais importante são mesmo os seus colaboradores, as pessoas que fazem o negócio.

É aqui que nasce a grande questão do employer branding. Um jargão, um estrangeirismo que nos últimos anos temos ouvido falar e ganhar importância, mas que agora – devido à pandemia – soma um novo sentido que acredito que irá manter-se em 2021. Todos fomos postos à prova e as equipas de Marketing e Comunicação não foram exceção. Mas o reconhecimento desta relevância da comunicação interna veio de cima, veio do top management. Vemos assim que o “parente pobre” do Marketing ganhou uma nova vida e reconhecimento aos olhos dos gestores das empresas que levaram a sério o employer branding, não pelo que se disse, mas sobretudo pelo que se fez. Foram as acções que fizeram toda a diferença. E quem experimentou sentiu a diferença.

Criar uma verdadeira comunidade, despertar um sentido de pertença a um grupo, gerar envolvimento com a cultura da empresa, vestir a camisola, não se consegue tudo isto enviando apenas uma newsletter esporadicamente. Vai-se fortalecendo dia-a-dia, com várias iniciativas, como peças de um puzzle que se juntam aos poucos e todas unidas formam uma imagem maior. E ao vermos essa “big picture” ficamos mais ligados com a nossa comunidade, com a nossa empresa e sentimos uma maior ligação com a cultura e visão corporativa. Aí nasce verdadeiramente o employer branding: “Eu entendo e assumo que sou parte desta companhia!”

Agora que regressamos aos poucos a alguma normalidade – algumas empresas com mais celeridade que outras – aí encontramos um novo desafio… em que o espaço físico do escritório assumirá um novo papel. É nos espaços de trabalho que as pessoas se vão (re)encontrar e passarão a valorizar muito mais essa socialização.
O espaço físico vai desempenhar uma função que até aqui não lhe era atribuída. Tal como a comunicação interna, o local onde as pessoas estão a trabalhar será uma peça neste puzzle da relação da empresa com os seus funcionários, pois vai permitir o fortalecimento das relações entre as pessoas pelo simples facto de estarem juntas. Haverá um escritório pré-covid e um escritório pós-covid!

Hoje, os escritórios estão a competir com o conforto do lar. Amanhã, deixarão de ser apenas uma linha de custo na demonstração dos resultados (P&L) das empresas, para serem vistos também como uma variável de atração de talento, cada vez mais uma zona de experiências entre colegas, com clientes, parceiros, etc.

Sem dúvida que 2021 marcará um momento de viragem e de boas-vindas a novos conceitos, sendo que muito por via da tecnologia e da digitalização o imobiliário vai tornar-se numa área de socialização, inovação e criatividade. A gestão do dia-a-dia nos espaços de trabalho e a relação com esses espaços vai ter que evoluir. Os escritórios não existirão apenas para termos uma secretária cheia de papéis e tralha, pois procuraremos tirar partido da presença dos outros – para isso, serão necessárias áreas onde se possa fazer trabalho colaborativo, brainstormings, reuniões, trocar dois dedos de conversa… e acima de tudo fortalecer a ligação com a comunidade a que pertencemos.

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