Como estão os líderes nacionais a enfrentar a crise provocada pela pandemia? 20 CEOs dão a resposta

Margarida Lopes
2 de Outubro 2020 | 10:24
Como estão os líderes nacionais a enfrentar a crise provocada pela pandemia? 20 CEOs dão a resposta

Para perceber os desafios que o tecido empresarial português enfrenta em tempos de pandemia, a Odgers Berndtson levou a cabo o estudo “Liderar a disrupção”, para o qual contou com a colaboração de 20 CEOs e administradores portugueses.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

 

Tendo por base questões sobre as novas prioridades estratégicas das empresas e os critérios de gestão financeira nesta época totalmente atípica,  o estudo revela que a pandemia veio ‘trocar as voltas’ às empresas portuguesas, que se viram obrigadas, por um lado, a responder a novos comportamentos dos consumidores e, por outro, a gerir situações de crise nas suas próprias organizações. Segundo a Odgers Bendtson, «as empresas portuguesas demonstraram uma notável capacidade de resposta e agilidade estratégica para enfrentar este novo contexto».

Uma das principais conclusões partilhadas pela maioria dos executivos é que as empresas têm que estar preparadas para mudar, de um dia para o outro. Tendo como certeza terem as pessoas certas no lugar certo, isto é, nas funções críticas do negócio.

Continue a ler após a publicidade

É com estas pessoas que os executivos estão agora a implementar uma nova organização mais descentralizada, numa operação mais colaborativa e num “Way We Work” phygital. A chave para a materialização desta transformação reside na capacidade de alinhar o ritmo de mudança da tecnologia, da estratégia, da organização e das pessoas.

A cumplicidade do triunvirato chief Executive officer (CEO) – ohief Technology Officer (CTO) – chief Human Resources office (CHRO) assumir-se-á cada vez mais como determinante na liderança de todo este processo.


Os principais insights sobre disrupção e gestão em tempos de pandemia

Para entender o impacto da disrupção na economia nacional, 20 Business leaders portugueses foram entrevistados, de forma a compreender como estão a enfrentar esta crise e, mais importante, como usaram esta oportunidade para criar ou defender valor para os consumidores, colaboradores e restantes stakeholders. A Odgers Berndtson agrupou as conclusões em quatro insights comuns aos entrevistados:

1) Descentralizar a tomada de decisão
A maioria das organizações reconhece que o timing é cada vez mais um factor de competitividade. Por isso, é imperativo privilegiar a rapidez sobre o controlo e a criação de um mindset mais empreendedor e de maior assunção de riscos, adaptando soluções às diferentes regiões e negócios, permitindo uma dinâmica mais eficaz na resposta à pandemia;

Continue a ler após a publicidade

 

2) Um novo perfil de liderança
Em que os líderes mais eficientes se diferenciam na capacidade de adaptação, na coragem de assumir riscos, na tomada de decisão rápida, na tolerância ao erro e na humildade. A resiliência e capacidade de não perder a big picture, mas também pensar de forma estratégica é igualmente crítica, tal como o foco na gestão e motivação de equipas num contexto de distância física;

 

3) Acelerar a Customer Journey Digital
A introdução do reskilling (aprender uma nova capacidade para executar um trabalho diferente) e upskilling (desenvolver um conjunto de capacidades, que permitem ao colaborador crescer dentro de uma posição e gerar mais valor para a organização) nas áreas de digital, data analytics e novas formas de trabalhar, será fundamental nas atividades e processos das empresas e na tomada de decisão, capacitando-as a testarem novas ferramentas de Inteligência Artificial (AI), machine learning, entre outros, para que possam gerar novos insights sobre os consumidores;

Continue a ler após a publicidade

 

 4) Employee Journey customizada, transparente e inclusiva
É crucial as organizações ajustarem a sua gestão de talento, de forma customizada, informada e inclusiva, permitindo a flexibilidade e adaptando-a a novos modelos de trabalho, que valorizem a colaboração e que possibilitem um maior equilíbrio entre a vida profissional e familiar.

 

Como preparar as lideranças para este novo contexto?
Nas conversas com os CEOs compreendeu-se que os profissionais com agilidade estratégica são os ideais para implementar novos modelos de liderança, assentes numa forma de trabalho mais flexível, onde os cargos presenciais e remotos irão conviver cada vez mais.

Continue a ler após a publicidade

Para esta realidade, caberá aos líderes conseguirem optimizar “o melhor dos dois mundos” e às organizações prepará-los para isso. Importa preparar sobretudo o nível do desenvolvimento de competências de gestão de equipas remotas/mistas, o alinhamento com a cultura e as melhores práticas de gestão de pessoas. A promoção de uma organização com propósito, mais humana, aberta, ética, flexível e colaborativa tornará as empresas mais prontas para um mundo global e digital.

Dito isto, independentemente do estágio em que a organização se encontra, a Odgers Berndtson recomenda quatro estratégias para que as empresas possam antecipar, atravessar e vencer crises disruptivas como aquela que estamos a viver:

1. Desenvolvimento de competências na Gestão de Topo para antecipar o futuro, gerir o curto prazo e criar um plano para além da crise;

 

2. Construção de resiliência através da gestão das aspirações e frustrações mediante a criação de um plano que vá para além da crise;

 

3. Criação de estratégias de talento e liderança para ajudar o CEO e o chief People officer a redefinir ou adaptar os processos de recursos humanos, a implementar formatos de teletrabalho que mantenham os níveis de eficácia e produtividade e a criar equipas multifuncionais;

 

4. Gestão da pool de talento para preparar a organização para o crescimento. Deste modo, ajudar a organização a identificar as funções mais críticas para gerir uma crise e avaliar e desenvolver as capacidades actuais, identificando os principais líderes para lidar com as necessidades imediatas e futuras. Por outro lado, desenvolver capacidades de liderança para a criação de valor e mapear os principais talentos no mercado ou sector de actividade;

 

5. Definição de um modelo de trabalho que melhor se aplique ao contexto geral, bem como a funções específicas na organização.

Partilhar


Mais Notícias