As pausas no currículo profissional são hoje uma realidade frequente e não devem ser encaradas como um problema insuperável. Despedimentos colectivos, doença, cuidados a familiares ou períodos de formação são algumas das razões que podem originar um hiato no percurso profissional, o qual, por si só, não diminui o valor das competências do candidato. O Ekonomista esclarece.
Porque é que uma pausa no currículo preocupa tanto
O receio de ser julgado negativamente é compreensível, mas muitas vezes exagerado. Recrutadores experientes estão habituados a analisar currículos com falhas temporais e reconhecem que o mercado de trabalho actual é instável e gera estes hiatos. O que realmente pesa é a falta de contexto ou explicações pouco credíveis sobre o período em causa.
Como apresentar a pausa no próprio currículo
É importante organizar correctamente as datas, indicando sempre mês e ano para cada experiência. Isto evita dúvidas e transmite transparência. Para hiatos superiores a alguns meses, deve ser incluída uma linha específica no currículo que explique a actividade desenvolvida, como “2026 – Formação em IA” ou “2026 – Procura activa de emprego e voluntariado”. Quando o período envolveu formação certificada, trabalho independente ou voluntariado, esses dados devem constar do currículo com as respectivas datas, funções e resultados, mesmo que não haja um contrato formal.
Se o motivo do hiato for pessoal e o candidato preferir não detalhar, pode usar expressões neutras como “período dedicado a assuntos pessoais” ou “pausa por motivos familiares”.
Transformar o tempo parado num argumento a favor
Gerir bem o período de pausa permite valorizá-lo profissionalmente. Cursos gratuitos ou subsidiados pelo IEFP, certificações online, voluntariado e trabalhos independentes são formas de manter o currículo activo e demonstrar iniciativa, mesmo sem remuneração. Apresentar com números e datas o que foi feito durante o hiato mostra um percurso contínuo e evita que o tempo parado seja visto como um vazio.
Na entrevista, deve explicar-se o motivo da pausa de forma sucinta e factual, focando-se rapidamente nas actividades desenvolvidas e nas competências adquiridas. Uma resposta preparada e breve reduz especulações e permite centrar a conversa nas capacidades do candidato para a função a que se candidata.


















